Eu já não faço mais isso. Fazia, sim, até míseros e poucos anos atrás (apesar de, quem eu conheci até essa época, eu continuar chamando de "tio" ou "tia". Afinal, costume é costume, oras...). Mas agora, confesso, fico meio sem jeito. Chamo de "Sêo" Fulano; "Dona" Sicrana. Até com meus sogros faço assim. É que, mesmo tendo o maior carinho por eles, fico com a sensação que usar "tio" ou "tia" seria falta de respeito. É, eu sou uma candanga paraguaia.
Pois hoje eu estava papeando com minha amiga Quel. E ela comentou sobre como adora "roubar" os avós alheios. E, pensando bem, eu me dei conta: eu também!
Dos amigos japoneses, chamo os avós de "batian" e "ditian". Quando eu ainda era adolescente, uma amiga até brincou comigo, quando eu falava de uma conversa com sua avó: "peraí, mas essa batian é minha, não sua!". E até da família do meu namorado: ao mesmo tempo em que chamo meus sogros por seus nomes, por outro, a avó do Dan não é "Dona". É simples e carinhosamente "vó".

Quando digo tudo isso, não estou exagerando. Perdi as contas de festas de fim de ano, aniversários, dia das mães, dos pais, ou das crianças e o diabo a quatro que passei na casa de amigos, "emprestando" suas famílias e comemorações. Festas íntimas, familiares, que tinham os devidos parentes... e euzinha. E que fique bem claro: sempre fui/vou como convidada!
Acho que, se, por um lado, Brasília já dá asas a esse tipo de relação, por outro, também pesa a falta de ter familiares por perto. Meus irmãos e eu vivemos desde a infância longe de qualquer parente e, quando meus pais voltaram para SP, ficamos só nós três. Desde sempre, fizemos de nossos amigos nossa família de coração, mesmo.
O fato é que, independente de motivos, nós fomos (e somos) felizes com as nossas escolhas. Porque sabemos que esse amor vem da mesma forma que vai.
P.S. tudo a ver: na foto, The Brady Bunch - família grande, misturada e feliz.
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