terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Cúti-cúti

Geralmente não gosto de gatinho, mas em homenagem ao meu, que me mandou esse vídeo, resolvi colocar um cúti-cúti aqui...



Não é uma graça???


P.S. tudo a ver: de vez em quando é bom ser bobinha, né?

Pra posterizar

Mais uma questão de mais uma pesquisa (sou cadastrada em vários sites de pesquisas, também) que me fez pensar:

"Qual é o seu sexo?
( ) Solteiro(a)
( ) Solteiro(a) e vivendo com um(a) parceiro(a)
( ) Casado(a)
( ) Divorciado(a)
( ) Viúvo(a)
( ) Separado(a)"


O que me fez perguntar... afinal, a questão é:
( ) Sobre gênero (masculino x feminino)
( ) Sobre estado civil
( ) Pegadinha
( ) Sobre o ato de fazer sexo
( ) Motivo pra se demitir um certo digitador

Fiquei em dúvidaaaaaa...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

RH criativo (a missão)

Mais uma vaga interessante que recebi por e-mail:

"Vaga: COORDENADOR NAKETING.
Descrição da Empresa: ESPECIALIZADA EM COMUNICAÇÃO MULTIMIDA".

(Em Marketing eu tenho uma experiência razoável... mas ainda não trabalhei nessa versão pelada. Hum... pensando bem, prefiro continuar sem isso no currículo. Agora... o que eles precisam mesmo é de um revisor, não?)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

De grátis (ou quase)

Pra quem foi pego pela crise - ou não: blogs e sites com dicas de promoções, coisas grátis e/ou baratinhas, cursos gratuitos e afins. Só não tem injeção na testa, mas aposto que ninguém faz questão disso...

Amostras Grátis e Brindes Grátis
Coisas Grátis
É de Graça
Educação Sebrae
Ideal Grátis
Promoções na Internet


P.S. importante: Alguns sites que anunciam serviços "gratuitos" pedem número de cartão de crédito ou informações do gênero. Não caiam nessa, ouviram?
Simplesmente fechem a janela e partam para outra.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Será que sou só eu?

Aqui onde trabalho, acontecem feiras, congressos e convenções o tempo todo, de todo gênero, número e grau.

O mercado desse tipo de eventos é um mundo. Há estandes tão elaborados que envolvem construções dignas de moradia. Às vezes há decorações assinadas, com móveis e adereços de designers, iluminação temática, buffet de primeira qualidade.

E também há situações que fazem me perguntar: "o que é que estavam pensando???". Hoje estão montando um fórum mundial que, entre várias atrações, há uma feira de artesanato. Cada "barraca" com sua devida identificação. E no meio de tudo, li aquela palavra que me fez gemer: "etinia". Por um lado, fiquei feliz porque o "T" deixou de ser mudo. Por outro, fiquei chateada porque não consegui me fingir de cega. Pôxa, tanto investimento... e não tinha como alguém revisar os letreiros??? (E isso acontece MUITO!)

Só não sei se esse erro é pior que o enfeite de Natal que penduraram aqui na empresa. Um Papai Noel fofinho com um "FELIZ NATAL" feito letra a letra. Até aí, ok... fora o fato de que a letra "Z" foi feita do avesso. Sim, o "Z" está ao contrário (tipo um "S" sem curvas). Com glitter dourado, colado e sem possibilidade de ajuste. Nessas horas eu penso quem errou mais: quem fez o enfeite, quem o comprou ou quem o pendurou na parede, feliz da vida, pra todo mundo ver. Ah, e ainda tem aquele que o lê e não vê o erro de jeito algum...

Aiminhasantapaciência... eu sou realmente chata com essas coisas!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Fazia tempo que eu não ria tanto...

Tempos difíceis deixam a gente deprê... e eu definitivamente tenho passado por uma fase conturbada da minha vida.

Mas tudo tem seu lado positivo, seu outro jeito de olhar as coisas. E, por mais que eu esteja nessa maré ruim, pelo menos sei que isso vai passar. Piores são as coisas ruins que ficam para sempre. Como o que esse vídeo aqui retrata.



E, cá entre nós, morri de rir. E isso fez o meu dia, que começou ruinzinho, ruinzinho.

Eu não gargalhava assim há muito, muito tempo. Como diz a sábia-sabedoria popular: "no dos outros é refresco". E digo mais: "rir dos outros é o melhor remédio". Aiquemaldade... Hahaha! Enjoy!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Meu email não tem bina

Ultimamente tenho recebido altos emails esdrúxulos. E o que é pior: de gente que desconheço. A primeira ideia que vem à cabeça é: isso é golpe. Mas não... não é golpe, não é vírus, não é picaretagem. É pura desatenção do remetente, o que faz desses casos mais esquisitos ainda. Reparem:

Outro dia, recebi um convite de um tal "Prof. Fabio" para o baile* da turma. Claro, simplesmente ignorei. Pensei: "o cara digitou o email errado". Dois dias depois, lá vem outra mensagem do mesmo indivíduo. Era uma "Pesquisa de Opnião". Sim, estava escrito "opnião". No assunto e no corpo de texto. Aí eu fiquei chateada. Que tipo de "professor" escreve "opnião", gente???

Enfim... respondi educadamente, dizendo que ele estava me mandando emails equivocadamente porque eu não sou nem fui aluna dele. E que provavelmente a verdadeira aluna não deveria estar recebendo suas notícias. Finalmente, pedi que, por favor, ele me retirasse de sua lista de envio. Até o momento, nenhuma resposta ou novo email. Será que ele respeitou minha opnião (ou "sujestão")? Tomaaaara...

Ok. Aí, hoje, recebi um outro email de outra pessoa desconhecida. Nunca li mais gordo. Um tal de José Lúcio enviou a seguinte mensagem (pra mim e um monte de outras pessoas, inclusive algumas que conheço): "leia e passe adiante". Simples e puramente "leia e passe adiante". Isso mesmo, nada mais. Nenhum texto, nenhum anexo. Repito (quero deixar bem claro MESMO): NADA. Odeio correntes de emails, mas essa, juro, me deixou curiosa. E aí, será que eu passo adiante? O que vai acontecer comigo se eu mandar ou deixar de mandar? Aiquemedo...


* Será que baile significa que os convidados têm que ir de gala? Chiqueeeee...!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Pra posterizar

Ontem à noite, num dos flashes do Jornal da Globo, a âncora fala sobre o apagão:

"... em São Paulo, Rio de Janeiro, Campo Grande e em parte de todo o Nordeste."

Mas, afinal... era em parte ou em todo??? Já diria o filósofo dominical: "quem sabe faz ao vivo!"... e quem não aguenta bebe leite. Opa!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Pense no lado positivo...

Pra quem reclama daqueles dias...

Menstruação é ruim. Mas pior é quando ela não vem.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Pra posterizar

Respondendo a uma pesquisa online, surge uma questão inteligente:

"2. Qual a sua idade?
(Escreva legivelmente):____"


Comentário pertinente para aqueles que não treinaram digitação naqueles caderninhos de caligrafia...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Do que o ser humano é capaz?

Entre os milhões de sites de relacionamento existentes, o Twitter é o que mais me apetece ultimamente. Principalmente porque as pessoas fazem comentários pertinentes e divulgam coisas interessantes. E essas "coisas" podem ser engraçadas, divertidas, emocionantes, diferentes. Hoje, um link me chocou.

Vídeos mostram jovem sendo agredida e xingada em universidade de SP

Fiz um comentário à notícia que, infelizmente, não copiei antes de enviar. A raiva era tanta pelo nível de estupidez dos envolvidos, que nem lembrei que o comentário seria moderado. Eu gostaria de ter escrito aqui exatamente o que escrevi ali. Então, vou tentar reproduzir, em outras palavras:


O site diz que 'serão rejeitadas mensagens que desrespeitem a lei, apresentem linguagem ou material obsceno ou ofensivo'. Mas não consigo imaginar o que pode ser mais ofensivo que o teor dessa notícia. Não há nada mais obsceno que a atitude das pessoas envolvidas nesse escândalo.

Quando alguém passa por nós com roupas ínfimas, imediatamente passa também pela nossa cabeça um monte de comentários maldosos. É da natureza humana criticar o que não entende. Maldizer, até. Mas não é nada humano partir pra cima. Não é humano agredir alguém por isso. Isso é coisa de bicho. De animal IRRACIONAL.

Não há explicações para o nível de barbárie a que chegamos.

O que me espanta (aliás, não sei se alguma coisa se salva nessa situação toda) é a participação de MULHERES. MULHERES que receiam passar em frente a obras. MULHERES que sofrem com mão boba (pra não dizer "outras" partes do corpo masculino) em ônibus e trens. MULHERES suscetíveis à violência nas ruas. Essas mulheres se juntaram a uma MATILHA de machistas para promover a violência a uma igual. Para incentivar gritando: "estupra, estupra!".

E o que é o estupro? É a forma mais desrespeitosa de se tratar alguém. É uma forma de tortura. É algo que, ao contrário do que o "brilhante" rapazinho comentou, NINGUÉM "MERECE". Ninguém "pede" pra ser estuprado. E não é uma roupa - ou a falta dela - que vai ser capaz de transmitir a mensagem "estupre-me". Se é pra ser irracional, então vou dizer aqui a minha opinião: só quem "merece" isso é quem o fez a outra pessoa. Eu penso assim, sim, admito. Eu PENSO, no âmago da minha falta de razão. Mas não é por isso que eu me juntaria a uma cambada de presos gritando "estupra, estupra".

A liberdade de uma pessoa acaba quando a do próximo começa. NINGUÉM tem o direito de interferir. Linchamento já era absurdo nos tempos antigos. Quem são esses personagens dos tempos "modernos"??????

Eu estremeço ao pensar que esse povinho está numa universidade. Sim, esse povinho que tem uma azeitona descaroçada e a chama de cérebro é considerado o "futuro da nação". Só se for no fim dos tempos, mesmo
.


P.S. tudo a ver: não consegui salvar o comentário no Blog da Metrópole, mas postei o texto acima na notícia original, no Boteco Sujo.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Não sou só eu

Só pra provar que, quando eu digo que o atendimento tem que receber mais atenção das empresas, não é chatice minha:

http://www.youtube.com/watch?v=vdyM9xVz95M

A Oi que me desculpe; eu particularmente nunca tive problemas com ela, até porque nunca fui sua cliente. Mas isso é só uma amostra, um exemplo. O que aconteceu aqui não foi um episódio isolado. Acontece. E muito. E, muitas vezes, o consumidor é muito (mas MUITO) mais educado que esse da gravação, porém muito mais maltratado pelo atendente. E há também os recorrentes episódios de "a ligação caiu" (=atendente mal-educado desligando na cara do cliente). Não há paciência (ou bons modos) que resista(m)...!

Então, que tal as empresas começarem a investir em bons atendentes? Ou em bons scripts? Ou, quem sabe, sei lá (não custa sonhar alto)... em RESOLVER PROBLEMAS????

É uma ideia, heim?

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Apaixonei

Minha quilida mana-miga L vai se casar no ano que vem e eu, madrinha-enxerida, fico dando pitacos nos preparativos.

Modéstia à parte, sou ótima pesquisadora da web. Peçam-me para procurar um limão e, acreditem, encontrarei limonadas variadas. Deus abençoe o Google.

Então, a primeira ajuda que L me pediu foi com relação a fotógrafos. Ela mora em São Paulo, o que é uma sorte no quesito "fornecedores". Sampa é um mundão sem fim e oferece serviços pra todos os gostos. Só espero que também seja para todos os bolsos...

Mas enfim, voltemos às fotos. Casamento é (pelo menos na intenção de todos que se casam) para sempre. E envolve uma pá de coisinhas - antes, durante e depois. E foto é para o "depois". É aquela lembrança que permanece, que é palpável. Por isso, merece ser bem-investida. Porque ninguém quer guardar foto feia, pelamordedeus. Além disso, um bom fotógrafo capta além da imagem. Capta a emoção, o momento. E o momento passa num piscar de olhos... então é melhor não correr o risco de perdê-lo, contratando um fotógrafo meia-boca.

Isso tudo eu falei para a L. E ela, canceriana como eu, sabe muito bem o valor de relembrar o passado. Por isso, assentiu - é claro, com restrições orçamentárias (porque a gente sabe o valor de uma boa foto, mas também sabe que o limite no cheque gera juros altíssimos... rs!)

Então eu fui atrás de gente boa na net. E achei tanto portfolio fantástico, que eu precisava compartilhar aqui:

- Abigail Seymour
- Ale Borges
- Ana Paula Guerra
- Anderson Miranda
- Anderson Nascimento
- Carolina Strina
- Daniel Nobre
- Daniela Picoral
- Edu Federice
- Erika Verginelli
- Fernanda e Sharon
- Fred Marcus (mais conhecido como "o do casamento da Ivanka Trump")
- Gabriela Quinália
- Glênio Dettmar
- Jared Windmüller
- Juliana Mozart
- Kali Marina
- Karen Lisa
- Klacius Ank
- Lara Porzak
- Luciana Cattani
- Márcia Charnizon
- Raphael Fraga (Fotograma)
- Rodrigo Zapico
- Rudi Bodanese
- Todd Hunter McGaw
- Tyto Neves
- Vinicius Matos (La Foto)
- Willians Moraes

Agora é ver se eles se encaixam no budget...

Coisa de artista

Sou apaixonada por artesanato, coisa que "herdei" da minha mãe. Mamãe sempre gostou de trabalhos manuais e fez de tudo para estimular essa paixão em mim e minha irmã. Hoje, isso virou um hobby para mim. Vez ou outra me animo a produzir algumas coisinhas.

Nesse fim de semana, houve uma Feira de Artesanato no Centro de Convenções. E lá fui eu levar mamãe para distrai-la um pouquinho. E nós gostamos muito. Havia stands de outros estados e eu fiquei bem surpresa ao ver técnicas e produtos que eu nunca tinha visto antes.

Fiquei surpresa e animada, porque, convenhamos, feira de artesanato quase sempre é a mesma coisa. Os mesmos fuxicos, as mesmas marchetarias, os mesmos sabonetinhos e patchworks. Aquelas mesmas bolsinhas de anéis-de-lata-de-refrigerante que eu acho o fim. E, finalmente, aqueles mesmos biscuits monstruosos.

Mas não. a feira "Raízes do Brasil" me deixou feliz. Ela me encheu os olhos e me fez suspirar por muita coisa linda.

Porque artesanato não é pegar a ideia alheia e refazer (muitas vezes, resultando numa cópia bem capenga). É criar e dar forma à criatividade. É pegar um pedaço de pano ou um montinho de barro e fazer deles uma obra de arte.

E, depois da pequena amostra que tive ali, posso dizer: esse Brasil tem muito artista...

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Elegância a toda hora

- Uma blusa com decote profundo
- Um sutiã aparente com estampa de oncinha
- Uma calça jeans justíssima com detalhes de strass cor-de-rosa
- Um cinto franzido prateado
- Uma sandália piriguete com salto agulha
- Um rabo de cavalo torto
- Uma bolsa de franjas

Na dúvida, uma companheira de ônibus preferiu usar todos esses itens simultaneamente.

E as pessoas ainda têm coragem de dizer que andar de ônibus é entediante...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Pró horário de verão

Quando chega horário de verão, uma coisa é batata: os comentários de "odeio horário de verão porque eu tenho que acordar mais cedo". E aí eu penso: sim, no primeiro dia é chato, porque a gente perde uma hora nessa noite (não é à toa que o HV começa sempre num domingo)... mas o intervalo de tempo continua o mesmo, gentemmmm! Alôôuuuu!


Então, sejamos lógicos: se o indivíduo sempre dormiu às 23h e acordou às 06h, então é só continuar mantendo esse horário, que ele dormirá o mesmo tanto de tempo, oras bolas! Talvez ele se sinta mais atraído pelo travesseiro porque o céu ainda estará escuro, mas não me venha com xurumela de "tenho que acordar mais cedo", já que ele também dormirá mais cedo!!!!

Gosto de horário de verão porque saio do trabalho e ainda posso ver o sol por um tempinho. A impressão é de que o dia fica mais longo para fazermos mais coisas. Tá certo que eu não costumo acordar de madrugada. Meu despertador toca às 06h30 e eu enrolo um pouco mais na cama.

Ainda bem que gosto é gosto e ninguém discute. E melhor ainda porque, independente da opinião da maioria (sim, é a maioria que reclama), o horário de verão continua. Até o ano que vem...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Síndrome de Garfield


Se a preguiça é mesmo um pecado, eu definitivamente não irei ao céu. E se eu me for numa segunda-feira, então, capaz de dar uma paradinha no limbo pra não me cansar demais.

Por que isso, heim???

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Segunda-feira sem-graça

Setembrochove. Ha-ha-ha-ha-ha.............. (aiquebesta!)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Literalmente do baú

No meio da bagunça, das caixas e dos baús, encontrei uma tirinha que eu cheguei a plastificar, anos atrás:


Adoooouro Níquel Náusea!

Então, aí vão mais algumas...








Um (não tão) leve desabafo

Sabe quando a gente muda de casa, corta o cabelo, dá uma inovada em qualquer aspecto na vida e só vê o lado bom de tudo??? Pois bem... pra essas horas, sempre tem alguém (e nesse "alguém", refiro-me a vários "alguéns") que gosta de jogar areia.

Casa nova? "Ih, mas que lugar LONGE, heim???" ou "nossa... exercite a PACIÊNCIA, você vai lidar com TAAAANTO congestionamento!" ou "ai, mudança é sempre um SACO!". Cabelo novo? "Ah, mas o seu cabelo era TÃO bonito..." ou "cabelo CRESCE de novo, né...". Cachorro novo? "Nossa, eu ODEIO cachorro... gato é bem melhor." ou "essa raça solta TANTO pelo!" ou "seus vizinhos é que não vão ficar felizes com os LATIDOS...".

Pô, que BAIXO ASTRAL!!! Eu entendo que amigos devem ser honestos, mas de vez em quando uma palavra (também) amiga vai bem, saca? Ultimamente tem acontecido muito... e eu percebo que, em tempos difíceis, é mais fácil incorporar o pensamento coletivo da negatividade.

Passar por esse tipo de situação tem me feito lembrar de um caso que aconteceu comigo na adolescência. Fui dormir na casa de uma amiga, que também tinha convidado uma outra menina. Minha amiga viu meu sutiã e se surpreendeu, num ato de curiosidade inocente: "nossa, você tem peito pra tudo isso?" (sim, eu sou uma japonesa "de peito"... e, na época, não me orgulhava disso - ao contrário de hoje). Envergonhada, respondi baixinho que sim. A outra menina, despeitada (olha o duplo sentido aí!) comentou: "é... peito grande cai mais cedo". Oi?!?!?!? Clássico caso de maldade pura e simples.

Isso foi um episódio bobinho, mas confesso que me fez sentir mal por muito tempo - me achava feia, gorda, sem-graça. Não é por acaso que, 15 anos depois, eu ainda me lembre claramente daquilo. Demorou, mas consegui mudar minha auto-percepção. E hoje eu tô nem aí se sou isso tudo (ou se meu peito caiu). Sou mais eu.

O fato é que mesmo os comentários mais inocentes (ou, pior, não tão inocentes assim) podem causar impactos imprevistos. Já ouviram falar na força da palavra? Pois é, ela existe.

Perdi o fio da meada, né? Então... voltando à moral da história: ok, falar a verdade é importante e tals. Ninguém quer ser enganado o tempo todo, ainda que a intenção seja boa. Mas, gente... só cuspir maldade é exatamente isso: MALDADE!!! Let's see the bright side of things, shall us? E mais: let it be, gente!

Pronto, falei!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Despedida


... Lembrando a cena final, em que ele realizava seu sonho - e se despedia - pegando "a" onda.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Pra posterizar


Na loja de bijuterias, a cliente chique pede à atendente: "Quero ver aquele colar de stress ali da vitrine..."

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Pra posterizar

Sei que é feio e mamãe-não-me-ensinou-assim, mas eu A-DOOOW-RO curiar conversa alheia em algumas situações na rua. São zunzuns e assuntos que ouço no elevador, escada rolante, ônibus, metrô etc, quando estou, mesmo que por poucos instantes, confinada em um ambiente com os interlocutores da conversa.

Não que eu fique de parabólica, sintonizando os assuntos. Mas porque, tais como eu, pessoas na rua geralmente não sabem manter o papo em um volume, digamos assim, intimista. Falam alto pacas, fazendo com que eu (na falta de um iPod acoplado no cérebro) acabe tendo que participar.

Mas o meu gosto pela coisa não é tanto pela bisbilhotice. É só porque, na maioria dos casos, escuto uma pérola napoleônica. E, nas horas em que essas declarações do tipo troféu abacaxi surgem, eu tenho que explorar a veia cínica de não-ouvi-nada-não-sei-de-nada pra não desabar no riso ali mesmo, na cara do(a) coitado(a) que está falando.

E, pra não deixar essas "oportunidades" passarem em branco, vou tentar "posterizar" essas (in)felizes afirmações aqui.


1. No metrô, em uma (séria) conversa sobre política, a mocinha diz a dois colegas: "... o Lula está ótimo. Na primeira gestação, não deu pra fazer quase nada, mas, agora..."

2. Na feira, um comerciante discutindo energicamente com o outro: "... nesses anos todos, eu nunca faltei com o desrespeito com ninguém!!!"


P.S. tudo a ver: Eu mesma, claro, também dou umas mancadas feias de vez em quando. Ainda bem que a gente existe pra alegrar a vida dos outros... rs!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A natureza se manifesta


Terremotos, tornados, enchentes, seca, epidemias... onde foi parar o Brasil? O que estamos fazendo com o mundo???

Crédito da imagem: www.chudtsankov.com

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Família de brasiliense

Em Brasília, as pessoas têm mania de, mesmo com 30 ou 40 anos na cara, chamarem os pais dos amigos de "tios". Não sei de onde veio essa tradição infantil, nem como surgiu, mas isso é fato. Perguntem a qualquer brasiliense, e ele confirmará.

Eu já não faço mais isso. Fazia, sim, até míseros e poucos anos atrás (apesar de, quem eu conheci até essa época, eu continuar chamando de "tio" ou "tia". Afinal, costume é costume, oras...). Mas agora, confesso, fico meio sem jeito. Chamo de "Sêo" Fulano; "Dona" Sicrana. Até com meus sogros faço assim. É que, mesmo tendo o maior carinho por eles, fico com a sensação que usar "tio" ou "tia" seria falta de respeito. É, eu sou uma candanga paraguaia.

Pois hoje eu estava papeando com minha amiga Quel. E ela comentou sobre como adora "roubar" os avós alheios. E, pensando bem, eu me dei conta: eu também!

Dos amigos japoneses, chamo os avós de "batian" e "ditian". Quando eu ainda era adolescente, uma amiga até brincou comigo, quando eu falava de uma conversa com sua avó: "peraí, mas essa batian é minha, não sua!". E até da família do meu namorado: ao mesmo tempo em que chamo meus sogros por seus nomes, por outro, a avó do Dan não é "Dona". É simples e carinhosamente "vó".

E, pensando mais bem ainda, percebi além. Eu não faço isso só com os avós. Faço com a família inteira de muita gente amiga. Mesmo chamando-os pelo nome, adoto os pais dos mais íntimos como tios. Como se esses meus amigos fossem primos e eu fizesse parte de uma imensa família. Adoto os filhos de pessoas queridas como meus sobrinhos. E, como eu já disse antes, viro tia, mesmo, de mimar e também dar bronca.

Quando digo tudo isso, não estou exagerando. Perdi as contas de festas de fim de ano, aniversários, dia das mães, dos pais, ou das crianças e o diabo a quatro que passei na casa de amigos, "emprestando" suas famílias e comemorações. Festas íntimas, familiares, que tinham os devidos parentes... e euzinha. E que fique bem claro: sempre fui/vou como convidada!

Acho que, se, por um lado, Brasília já dá asas a esse tipo de relação, por outro, também pesa a falta de ter familiares por perto. Meus irmãos e eu vivemos desde a infância longe de qualquer parente e, quando meus pais voltaram para SP, ficamos só nós três. Desde sempre, fizemos de nossos amigos nossa família de coração, mesmo.

O fato é que, independente de motivos, nós fomos (e somos) felizes com as nossas escolhas. Porque sabemos que esse amor vem da mesma forma que vai.

P.S. tudo a ver: na foto, The Brady Bunch - família grande, misturada e feliz.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

De dentro

Há fatos, coisas, momentos e pessoas capazes de marcar uma vida. Às vezes, uma simples frase dita (ou não dita) fica presa na lembrança para sempre. Ou nos fazem mudar sem nem percebermos.

Nunca vou me esquecer, por exemplo, do jeito que minha mãe ligava pra gente toda terça-feira, lá do Japão. Foi um ritual que ela criou nesse dia específico, porque era quando ela folgava no trabalho. Muitas vezes, não havia nada a dizer. Ela só queria nos escutar. Antes, quando ela e papai ainda estavam em São Paulo (e nós em Brasília), eram os domingos. Os assuntos eram variados, e nessas conversas houve choros e risos. Houve revelações. Houve fofocas. Houve confidências. E, principalmente, houve bate-papos inocentes e despretensiosos.

Quando papai ligou em casa numa quarta-feira à noite, eu respondi feliz (e ingênua).

- Oi, pai! Tudo bem?
- Tudo nada, filha. Sua mãe tá no hospital.

Meu mundo desabou. A notícia do derrame me esmagou. Eu não sabia o que pensar e comecei a chorar, só de sentir o desespero do meu pai. Ele, sozinho no hospital, esperando notícias da esposa desacordada. No outro lado do mundo, eu, sozinha em casa, queria virar vento pra abraçá-lo.

Ele desligou o telefone e eu me encolhi. Minha irmã estava na Dinamarca; tinha viajado dois dias antes para o casamento de sua amiga. Meu irmão estava na rua e eu não tive coragem de dar a notícia pelo telefone, porque sabia que ele se exaltaria. Eu não achava prudente que alguém que sofresse como eu estava sofrendo dirigisse sozinho de volta para casa. Então esperei. E, algumas horas de lágrimas depois, ele chegou.

E eu contei. E ele me abraçou. Como há muito não fazíamos, pela natureza de nossa relação. Então, depois de vários minutos chorando juntos, resolvemos ligar para nossa irmã. Ainda bem que ela tinha uma irmã de coração em quem se apoiar, também.

No dia seguinte, como que por milagre, mamãe acordou. E sofreu sua primeira cirurgia craniana.

Depois de um tempo, ela foi se recuperando. No decorrer dos meses, voltou a conversar, a se sentar, a comer sozinha, a andar. A subir escadas! Mas não voltou a ser a mesma. Porque, enquanto todo o resto voltava, a memória não quis.

Ela já não se lembra mais da nossa história. Ela nos reconhece, mas não é mais quem se lembrava dos nossos aniversários dois meses antes, para providenciar os devidos presentes. Não é mais quem nos liga às terças, nem nunca.

Ela conta histórias que não aconteceram. Tudo vem da cabeça dela, e não do passado. Algo muito injusto para quem tinha uma memória invejável.

Falar assim é até pecado. Porque ela está viva e vai nos ver casando, se é que isso um dia vai acontecer. Vai conhecer nossos filhos, seu grande sonho. Aliás, naquela noite de abril, enquanto ela não acordava, eu mentalizava: "não é hora de ela ir. Ela ainda não conheceu os netos que sempre quis". Ela vai vir morar com a gente.

Eu não quero ser mal agradecida. Nem incompreendida. Entendam: minha felicidade não cabe em mim por ela continuar convivendo com a gente, aqui nesse mundo. E por voltar viva para o Brasil, pedido que fiz secretamente assim que ela entrou naquela sala de embarque em Guarulhos, em 2007. Mas, involuntariamente, também sinto uma profunda tristeza de pensar que a alma dela pode não retornar jamais.

Afinal, ela vai "voltar" ou "começar" a viver com os filhos? Não sei. Mas tenho esperança de que tudo correrá bem. Com ela, com ele e conosco.

Aquela mãe vai viver pra sempre em mim. E, claro, também a nova mãe que teremos, assim que ela chegar a nossa nova casa. Mais um marco em nossas vidas.

E ontem, quando minha contagem regressiva para a sua volta chegou aos vinte dias, tive uma grata surpresa. Uma injeção de ânimo. Um fôlego, uma esperança. É vendo pessoas vencedoras, que sofreram mais do que podemos imaginar, superando (também) melhor do que se pode esperar, que percebemos o quanto podemos ser fortes.

Irônico, isso. A fortaleza de uma pessoa ser capaz de nos fazer ver nossas fraquezas. E fazer disso um estímulo para sermos pessoas melhores.

Obrigada, Cris. Disso eu também nunca vou me esquecer.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

RH criativo

Sou cadastrada em uma porção de sites de empregos e, de vez em quando, recebo anúncios de vagas em meu e-mail. Posso dizer que todas elas são interessantes; ou pela oportunidade ou pela forma, digamos assim, divertidas, com que são descritas. Dois desses exemplos me chamaram mais atenção:

1. Vaga: Gerente. Pré-requisito: Língua Portuguesa. (Puxa, que bom, né? Afinal, é uma vaga no Brasil, e, realmente, seria interessante que a pessoa soubesse um pouco de português. E, reparem: não precisa nem ter conhecimento avançado!).

2. Vaga: Analista de Marketing. Sigla da vaga: ANALMKT. (Hum... algo me diz que quem conseguir o cargo vai ter que aguentar coisas não muito agradáveis).

Ai, ai, ai... redação é tudo.

Algo mudou


Neste ano, completei trinta. Quanto ao número, não tive neura, não sofri por antecedência. Trinta é um número tão normal quanto qualquer outro.

No entanto, preciso dizer: não sei se é algo comprovado, ou qualquer coisa parecida... mas estou sentindo mudanças. Um exemplo é que voltei a malhar e percebo minhas evoluções mais lentas. Percebo minha pele mais seca e sensível às mudanças de tempo. Percebo saciar meu apetite mais rápido do que antes.

Com certeza, algo mudou. Ou meu corpo está diferente, ou minhas percepções estão mais apuradas...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Sou pobre, mas não sou porquinha

Semana passada eu gripei. Na segunda-feira, acordei com a garganta ruim e um mínimo de febre. Liguei pra chefe pra avisar que eu ia ficar em casa pra me cuidar e, caso piorasse, eu iria ao hospital. Fiquei quietinha e melhorei.

Aí liguei novamente pra chefe, avisando que iria no dia seguinte. A resposta?
- Não se preocupe. Pegue a semana toda pra se cuidar.
- Imagina... eu já tô bem. É um resfriadinho normal, como qualquer um.
- Tudo bem, mas sua imunidade está fraca. Melhor ficar em casa e evitar ficar pior.
- Tá. Se eu não melhorar amanhã, não voltarei na quarta. Pode ser?
- Fique em casa. Não se preocupe.

Fiquei de molho mais um dia e me incomodei. No dia seguinte, voltei à labuta. A recepção foi a mais estranha, com comentários repetitivos vindos de vários colegas (a chefe também estava de licença):
- O que você está fazendo aqui???
- Ué... você não estava com gripe suína?
- Já tá curada???
- Ih... vou ficar longe, tá?

Eu me senti péssima. As pessoas me olhavam enviesado, do tipo "você é uma irresponsável". Brinquei a respeito e soube até que, na terça-feira, houve gente que tinha ido trabalhar de máscara e luva. Faltou a bolha de plástico. Isso tudo por causa de uma gripezinha qualquer.

Falei novamente com a chefe, que me chamou pra conversar (fora do recinto do trabalho). Ela me orientou mais uma vez a ir pra casa, porque, por mais que eu estivesse bem, eu tinha que me cuidar.

Resultado? No dia seguinte, acordei com o nariz ruinzinho. Nada de febre, nem nada demais. Só o nariz, que me fazia espirrar (aliás, nada me tira da cabeça que isso foi puro olho-gordo). Se, no dia anterior, eu estava "excluída", imaginem como me tratariam, se eu fosse trabalhar espirrando? E lá fui eu ligar mais uma vez para a chefe. Ela repetiu que eu devia mesmo ficar em casa, e que eu não me preocupasse. Eu tinha que cuidar de mim.

Por um lado, achei legal a atitude da minha chefe, preocupada com minha saúde. Por outro, achei engraçado e absurdo o jeito exagerado que as pessoas estão lidando com esse pânico geral do porquinho. É sério? É. Mas precisa disso tudo? Não, né.

Agora, qualquer tosse é malvista. Sim, gente, existem novas doenças todos os dias por aí. Mas também não é pra tanto! Há calamidades maiores. Há doenças menos "na moda" que matam muito mais gente - e são bem mais contagiosas. É triste pensar em quantas pessoas têm morrido? Claro! É triste que isso aconteça. Mas também é triste saber de tanta gente morrendo no trânsito, e nem por isso as pessoas param de sair de casa ou, em analogia às máscaras, saem cobertos de amortecimento para se protegerem de colisões. Menos, gente! MENOS!!!

De qualquer forma, descansei, como minha chefe pediu. E ri da situação com colegas menos medrosos. Só espero que esse temor passe logo. Porque, na boa: já encheu, né?


Imagem: recebi por e-mail e achei uma graça. Foi exatamente assim que me senti na quarta passada. Pena que não sei quem fez, pra dar o devido crédito...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

E pai lembra dívida, por acaso?


Mais do Dia dos Pais: acabei de receber um e-mail do meu banco. Entre frases no estilo Hallmark, surge o mote da campanha: "O momento é ideal para uma dica importante: aproveite a ocasião para utilizar o seu Limite de Crédito Pessoal, com taxa especial".

BRINCOU, né?

Não tem mais jeito. Acabou. Boa sorte.


Lembram do meu review sobre o Restaurant Week? Poizé. Minha primeira experiência foi bem boa.

Aí, naquele mesmo post, eu até comentei que minha próxima parada seria o Zuu a.Z d.Z. Pois não deu.

Na segunda-feira, N, R e eu íamos lá. Mas, lá pelas 11h30, Dan me ligou dizendo que um colega dele não tinha gostado muito do menu desse lugar. Repassei a crítica às meninas e fuçamos mais um pouco o site do festival. Lá pelas 12h, resolvemos arriscar lá, mesmo. Quando estávamos saindo, nosso colega T fez mais uma crítica ao restaurante. E desistimos novamente.

Então resolvemos ir ao Bier Fass. Ok.

Pegamos um baita engarrafamento - houve acidente a caminho da ponte. Demorou, mas chegamos ao Pontão. Pra dar de cara com um salão cheio de cadeiras sobre as mesas e garçons lavando o chão do restaurante. Fechado.

Diante dessa imagem, fomos ao Bier do Gilberto. E, lá, descobrimos que, não, eles não participam do festival. Só o Bier do Pontão. Aff... mas, beleza, acabamos comendo um prato "para duas pessoas" que, por 23 dinheiros cada (já com as bebidas e os 10%), nos deixou duplamente satisfeitas.

Hoje, fui com o Dan ao Villa Borghese. Pra quem não conhece, é um restaurante tradicionalíssimo em Brasília, com preços nem tanto. Por isso, resolvemos aproveitar o festival lá. Nós e mais uma renca de gente. Tinha fila, lista de espera, o escambau. Quando finalmente nos sentamos, fiquei chateada com a falta de tato de alguns garçons. Pelo menos a comida era deliciosa, mesmo. Mas não recomendo como recomendei o Universal Diner.

Talvez essa discrepância se dê pelo volume de pessoas. No início do Restaurant Week, os restaurantes não deviam lotar como agora. É aquela velha história do boca-a-boca (ou, no caso, blog-a-blog). Uma pena.

Mas, então, que fique a dica: na próxima, quem quiser aproveitar uma boquinha como essa, que vá logo no início. No final, não desce. Infelizmente.


Foto: www.restaurantweek.com.br

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Presente (grego) dos pais

Dia dos Pais se aproximando, e eu viajo ao passado.

Lembro-me dos "ótimos" presentinhos que eu dava ao meu pai e minha mãe em seus respectivos dias.

Na escola, cansei de fazer porta-gravatas para o papis. Detalhe: papai trabalhava com granja - e fugia da tal da gravata até mesmo em casamentos. Mamãe ganhou várias caixinhas feitas de palitos de sorvete, prendedores de roupa e afins. Quem diria que reciclagem ficaria tão in, tantos anos depois?

Uma só palavra pode definir perfeitamente as ideias "geniais" ao longo dos anos: esdrúxulas.

Hoje, minhas amigas professoras dizem que rola todo um pensamento-logístico-estratégico para as crianças não "micarem" ao preparar suas homenagens aos papais e mamães. Tem que tomar cuidado quando a criança não tem pai, por exemplo. Tem que pensar se a religião da família permite algumas comemorações. Tem que verificar se a criança tem mãe E madrasta (porque, aí, não pode homenagear só uma delas...). Aff...

Pensa-se em muita coisa. Só não se pensa se os pais querem pagar R$40,00 para GANHAR uma ecobag que seu filho vai personalizar. E o melhor: se os pais têm dois filhos na mesma escola, independente de que série eles cursam, eles "ganharão" duas ecobags!!! E um débito extra de R$80,00 em um mês.

Esdrúxulo por esdrúxulo, fico com meus porta-gravatas reciclados.

Independente disso... FELIZ DIA DOS PAIS!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Semana (ou melhor: duas semanas) de gula


O Restaurant Week me pegou. E virei fã. Quarta-feira, fui com a quilida T ao Universal Diner e almoçamos o Picadinho Universal (filé, arroz de banana, banana caramelizada, farofa e ovo pochê). De entrada, saladinha. De saída (ou seja, sobremesa), Romeu e Julieta (suflê frio de queijo com calda quente de goiabada). Nham, nham, nhaaaaaaam!

Tudo por 28 dinheiros + 10% (aliás, muito bem merecidos, porque o staff é sempre de primeiríssima). Recomendo MUITO!

Ai, Deus que me perdoe, mas viva o pecado da gula! Next stop: Zuu a.Z. d.Z.!

Foto: www.restaurantweek.com.br
P.S. tudo a ver: Thanks to Ju, que me mandou a dica de primeira mão!

terça-feira, 28 de julho de 2009

... Porque aqui, aqui é o meu lugar...

Estou de volta.

De volta ao Brasil (e morrendo de saudade de tudo que ficou no Japão).
De volta a Brasília.

De volta a outra metade da família.
De volta ao Dan.
De volta aos amigos.
De volta ao trabalho (vida normal sucks!).
De volta à bagunça.
De volta à malhação (úia só! "Culpa" da N).
E, finalmente, de volta ao brógui.

E, por incrível que pareça, tudo mudou. Como é possível?

P.S.: Má, não brigue comigo!!! I'm back!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

R.S.V.P.

Escrever é mesmo uma terapia. Às vezes, para desanuviar, eu resolvo blogar.

Hoje mesmo, mais cedo, conversava com minha amiga Marcella sobre como certas coisas nos enervam. Nada que pilates + férias + spa numa ilha deserta no Taiti não resolvam. Depois, com mais tempo, fui bizoiar seu blog e me deparei com uma história divertida (talvez não para ela... rs!), que me fez lembrar de dois episódios tragicômicos que aconteceram comigo em meu antigo emprego.

1. DEVOLUÇÃO DE FAX
Certa vez, por engano, mandamos um fax para um número errado. Em vez de os gênios que o receberam ligarem para o número avisando, mandaram o fax DE VOLTA. Repito: de volta!!! Pegaram as QUATRO folhas que chegaram lá e RETRANSMITIRAM TODAS, como que "devolvendo" o documento, acrescentando ainda um bilhetinho escrito à mão, dizendo que havia sido um engano. Superinteligentes.

2. DEVOLUÇÃO DE E-MAIL
Um rapaz mexia no nosso sistema de e-mail marketing, e, antes de enviarmos as mensagens ao mailing, pedíamos para esse funcionário (que pertencia a outra área) fazer um teste.
Numa dessas ocasiões, mandei um e-mail a ele, pedindo que testasse um envio para o meu endereço. O rapaz RESPONDEU minha mensagem - ou seja: mandou um e-mail para mim! - perguntando: "qual é o seu e-mail?". Juro que reli essa frase umas cinco vezes, até finalmente acreditar que era isso mesmo que ele estava me perguntando. Como diria meu amigo: fiquei BEGE...

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Falar é fácil

Como trabalho no Eixo Monumental, presencio 99,9% das passeatas em Brasília. Em média cinco vezes ao ano, chegar ao serviço é um verdadeiro teste de paciência - graças a MST, CUT, Rosinhas e o diabo-a-quatro.

Não é segredo pra ninguém que sou estressada. Ainda mais no trânsito. Mas não acho que seja "privilégio" meu ficar braba em congestionamentos. Imagino que isso seja senso-comum.

E é aí que eu me pergunto: de que adianta a tal da passeata? Qual o seu objetivo? Mobilizar a população em geral? Ou é só chamar a atenção para a sua causa? Ora, porque, na minha cabeça, se a ideia é comover as pessoas, acho que tá tudo errado. Porque, pelo menos do jeito que esse povo faz aqui, em Brasília (entendam: não tô falando de um movimento tipo impeachment, ou algo assim), o efeito é contrário. Irrita, chateia, faz a gente xingar. O que mais ouço dos motoristas é: "esse povo não tem mais o que fazer, não?".

Pois é. Podem me chamar de ignorante... mas é a imagem que eu tenho. Tem grupo que faz tanta passeata, que ninguém mais ouve o que ele tem a dizer. Às vezes, a causa pode até ser justa. Mas a estratégia tá furada.

Atrapalhar a vida dos outros e ficar gritando num trio elétrico em frente ao Congresso Nacional não adianta. O que adianta, e ninguém faz, é votar direito. Pra depois não ficar dizendo que "Brasília só tem corrupto". Até porque os tais "corruptos" foram eleitos pelo Brasil inteiro.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Quase trinta


Hoje recebi um e-mail anunciando a promoção de uma papelaria: "Só este final de semana: descontos de até 27% em eletro".
Aff... a crise atingiu até os descontos. Tá brabo MESMO...

P.S. nada a ver: aposto que tem gente que achou que eu ia falar sobre a minha idade, heim??? Rs... bem, mas serve também!

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(Complemento) MAIS DA CRISE:

Outra promoção maluca que vi num banner: "USE 5 vezes seu cartão Mastercard, CADASTRE-SE no site, COMPRE uma opção do cardápio promocional do Giraffas e GANHE outra". Aff maria... é tanta informação que a promoção tornou-se praticamente uma caça ao "tesouro". Tudo isso pra ganhar dois sundaes??? Nossa senhora, heim... que trabalheira!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

É festa...!


Enquanto os orêia brincam de cabra-cega, os chefo se divertem com a dança das cadeiras.
O último a sair apaga a luz.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Ah, essas crianças...

Outro dia, eu estava conversando com minha amiga M sobre como a criação de filhos é algo complicado. E como o conceito "educação" muda, não só de família para família, como também de criança para criança. Sim, porque, numa mesma família, duas crianças podem ter personalidades completamente diferentes. E isso reflete na forma como elas se portam. De qualquer forma, o resultado "deveria" ser o mesmo: uma criança capaz de conviver em sociedade. No mínimo.

Eu tenho uma porção de sobrinhos tortos. São filhos de amigos ou parentes que preenchem meu coração. E eu abraço MESMO a minha causa "tia". Gosto de mimar, de ensinar, de fazer companhia e conversar. Gosto de aprender com eles. Mas também não hesito em chamar a atenção, levantar a voz e disciplinar.

Cada um desses meus sobrinhos é diferente. Por uma série de motivos, desde a já mencionada personalidade, que é única, até a forma com que os pais lidam com a criança ou a escola que ela frequenta.

Eu fico muito atenta a tudo relacionado aos pequenos. Primeiro, porque amo essas crianças com todo o meu coração - e considero toda nova conquista ou descoberta como um verdadeiro tesouro na história de cada um deles. Segundo, porque sonho em um dia ser mãe, e tenho calafrios ao imaginar que eu não consiga educar meus filhos corretamente.

Pois bem. Nas últimas semanas, tenho conhecido novas crianças, em várias situações. Quatro delas me inspiraram escrever aqui. Reparem nas diferenças.

1. AS DAMAS
Nos preparativos de seu casório, minha cunhada me convidou a acompanhá-la num sábado. Entre os afazeres do dia, estava levar uma das daminhas, de nove anos, para provar o vestido. Junto com a pequena dama, veio também uma pequena companhia: sua irmãzinha, de cinco aninhos.
Enquanto a maior (B) era uma simpatia, a menor (R) era a timidez em pessoa. Mas ambas eram educadíssimas, apesar de sua origem humilde. Depois, a noiva quis encontrar o noivo e a mãe dele numa loja de materiais de construção. Eu quis ficar com as meninas, e aproveitei para dar um lanche e um suco para elas. Em nenhum momento elas pediram nada. Não deram trabalho, não reclamaram da demora, que foi grande (a pequena chegou até a perder sua timidez comigo!). Inventaram jogos para distração e me incluíram na brincadeira. Foram literalmente pequenas damas.

2. O "BEBÊ"
Num sábado, D e eu fomos a um chá de bebê. Havia poucas crianças, mas todas estavam ocupadas - duas brincando no computador e um bebê sendo ninado. Logo, chegou um menino com seu pai. À primeira vista, ele era um garotinho simpático.
Certa hora, D e eu fomos conversar com dois amigos no jardim. R sentou-se numa poltrona, que ficava encostada na parede. E lá veio o tal garotinho, com um sorvete na mão. Ele foi escalando a poltrona, para olhar dentro da janela. E logo começou a se sentar no encosto do móvel. Por ter um estofado mole, ele foi caindo em cima do ombro de R. Foi escorregando até se acomodar no assento, empurrando R para fora da poltrona. Sem o menor constrangimento, ali permaneceu.
Enquanto eu achei aquilo um absurdo, os três rapazes riram da situação. Foi o suficiente para encorajar o garoto a aprontar mais. Começou a falar alto e errado, como neném. Xingava os adultos e mentia para o pai, falando que eles o haviam xingado. O pai, sabendo que era mentira, ficava rindo e não repreendia. O menino empurrava sua bicicleta para cima do pé dos outros e não dizia nada. Fiquei extremamente irritada com aquilo tudo. Ah, e vocês querem saber a idade do pequeno troglodita? Sete. Anos... mas pareciam meses.

3. A ESPERTINHA
No domingo, D e eu fomos a um churrasco. Churrasco com Imagem & Ação e Perfil. Para a alegria e babação dos cinco casais presentes, três menininhas nos fizeram companhia. L (10), B1 (5) e B2 (2) são três gracinhas.
Todas arrancaram suspiros, mas L mereceu destaque. Além de não fazerem qualquer bagunça (o churrasco era na casa de sua avó), elas se juntaram a nós no jogo de mímicas. E não é que L acertava tudo antes de qualquer adulto??? Fiquei impressionada. E as adivinhações chegaram até a palavras como "asfalto" e "útero". Pena que me esqueci de perguntar qual escola essa pequena frequenta...


Crédito da imagem: Getty Images

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Sobre filas (I e II)

Vivem dizendo por aí que 'brasileiro gosta de fila'. Sei não, heim! Quem pode gostar de coisa tão chatinha? Estressa, faz perder tempo, causa dor nas pernas e nas costas.

Mas se tem uma coisa que fila estimula é a observação. Parar por alguns minutos nos obriga a ler tudo à nossa volta; perceber detalhes em tudo; reparar nos companheiros de fila. Ou seja: "curiar", mesmo!

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PARTE I - C&A

Pois bem. Ontem, no meu intervalo do almoço, enfrentei a fila da C&A. Foi um ímpeto de coragem, já que havia apenas dois caixas funcionando. A fila foi aumentando, aumentando... até que uma alma impaciente, lá no fim da fila (que fique bem claro: não fui eu!), perguntou a uma das funcionárias:
- Não tem como chamar mais alguém, não? No outro andar o caixa nem está aberto!

Depois da primeira reclamação, surgiram os comentários pertinentes dos outros participantes da fila:
- É verdade!
- Pois é! É horário "deles", mas também é o nosso, oras!
- Nossa, que demora!
- É! Chama alguém!!!

Não surtiu qualquer efeito. A fila continuou aumentando e ninguém veio socorrer as duas funcionárias.

Até aí, (a)normal. Mas quando duas moças foram atendidas na frente de todos, a mulher que estava logo atrás de mim perguntou, ofendida:
- E essa fila paralela, aí? Que bagunça é essa???

A barriga das duas (que não estavam juntas) era a resposta óbvia, então eu respondi a ela, calmamente e baixinho:
- Elas estão grávidas. Aquilo é um caixa preferencial.

(Ah, sim, tinha esse agravante: considerando que um dos caixas era preferencial, só havia UM caixa para atendimento geral).

E ela:
- Que é isso, gente???? Se elas estão grávidas, eu também estou!!!

Hahahahahahaha... eu só olhei para ela (uma senhora de uns 50 anos), para a barriga dela, e respondi:
- Então tá, ué.

E ela continuou reclamando. Bom... diante disso tudo, reparei que fila causa também cegueira e desorientação.

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PARTE II - McDonald's

Graças à fila da C&A, não tive tempo de almoçar direito. E lá fui eu ao Drive Thru do "Êmi-Ci". No quesito "análise comportamental", drive thru não é tão divertido como fila em pé. Então a gente tem que se contentar com o que a própria empresa nos oferece.

As Lojas Americanas nos "presenteiam" com quinquilharias e guloseimas baratinhas, pra gente consumir na última hora. São gôndolas e gôndolas de chocolates, cremes dentais, revistas, pirulito com ventilador, DVDs virgens, etcetera e etcetera. Já o McDonald's nos enche de informação, para que a pessoa no carro se (in)decida quanto ao lanche que vai escolher.

Como publicitária, tendo a criticar a comunicação alheia (por isso que eu vivo dizendo: "publicitário é chato pacas"). E morri de rir com um banner, pendurado em destaque naquela fila. A mensagem era: "Chicken Wrap. Leve, gostoso e enrolado." Oi?!?!? Eu só respondi, em pensamento: "é... bem que eu tô vendo a ENROLAÇÃO, mesmo...

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Só blogar salva.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Sozinha, não

Quem não já ouviu pelo menos um desses ditos abaixo?

( ) "Amigos são a família que a gente escolheu"
( ) "Amor com amor se paga"
( ) "Família: um mal necessário; um bem inestimável"
( ) "É nas horas de sufoco que a gente conhece os amigos"
( ) "Uma andorinha só não faz verão"


Pois bem. Mais do que ouvir, o importante é viver.

A vida pregou uma peça. Em mim e em minha família. Graças a isso, nossos laços se apertaram ainda mais. Assim, sobrou muita fita para enroscar todos os nossos amigos na nossa corrente positiva.

Obrigada por tudo. Vocês são ouro, rubi e diamantes.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

A quem (não) possa interessar

Sabem aquelas coisas que a gente reclama, mas não permite que ninguém mais fale mal? É como família: você diz isso e aquilo dos seus irmãos, dos seus pais etc. Mas, ai de quem ousar fazer o mesmo! Não pode, não.

Pois não é só com família que a gente vira leão. É com tudo que é muito particular. Como o trabalho da gente. Eu e meus colegas reclamamos. Reclamamos do chefe, dos jobs, das decisões. Mas a gente está vivendo aquilo; tem propriedade para criticar. Quem está de fora, não.

Acho que isso tem muito de "vestir a camisa". A gente veste, mesmo que ela esteja surrada, apertada, suja ou malfeita. A gente não gosta dessa camisa, mas ela é nossa. Não cabe a outro dizer se nos cai ou não cai bem. A gente trabalha muito, mesmo não gostando. A gente faz o que pode e o que não pode (ou não deve). A gente rala, briga, sorri e chora. A gente caga areia. E quem colhe os louros são os outros.

Portanto, não venham com piadinhas infames. Não apareçam com críticas infundadas. Não falem mal, que viro fera, sim. Cada um no seu quadrado.


P.S. 1: sim, o assunto fica meio no "ar". Não estou sendo específica de propósito. Mas o site não é de causas remotas? Pois bem...!
P.S. 2: ok, tudo tem me deixado braba, ultimamente. E, creiam-me, percebo isso mais do que ninguém. Tô precisando demais de férias. Ganhar na Mega-Sena também resolveria isso facilmente.

quarta-feira, 25 de março de 2009

O que motiva uma lambança?

Sabe aqueles episódios da vida em que acontece uma sucessão de eventos interdependentes? Aquelas coisas de "isso que levou a aquilo, que motivou outra coisa...".

Vejamos, então.
Se eu não fosse tão comprometida, não teria feito meu serviço bem para o Carnaval. Se eu não tivesse feito bem o serviço, não teria aberto um precedente para organizar os próximos eventos. Se eu não tivesse aceitado organizar os itens para o próximo evento, não precisaria ter que me reunir com o cara do projeto. Se eu não tivesse saído para essa reunião, eu teria saído para almoçar, ao invés de aguardar o motorista em plena hora do almoço. Se eu não estivesse voltando para a empresa na hora do almoço, não teria sentido fome no trajeto. Se eu não tivesse sentido essa fome, eu não teria pedido para passar no McDonald's para comprar um lanche. Se eu não tivesse levado o lanche para o serviço, não teria almoçado enquanto trabalhava. Se não tivesse feito isso, não teria devorado tudo sem tomar o suco de uva. Se eu tivesse tomado o suco, não teria esbarrado no copo cheio e feito uma lambança roxa na mesa, na parede, nos papéis, no chão e no meu casaco branco.

Humpf. A moral dessa história? Comprometimento só não mancha a reputação.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Have a nice day


Certos dias, a gente acorda de bom humor. Sem motivo aparente, simplesmente abre os olhos e pensa: "hoje será um bom dia".

É difícil imaginar a vida sem dias assim. Que parece que tudo vai dar certo, que o sol vai brilhar, sem inconveniências. Que haverá tempo de sobra para cumprir as obrigações e também relaxar. Que as pessoas serão gentis, que a tolerância estará superior.

Sei que existem dias negativos. Mas ainda bem que há os positivos para equilibrar.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Pelo amor de Deus!

Acho que todo mundo já ouviu a frase "católico graças a Deus". Eu admito: sou católica batizada. Graças a Deus, aos meus pais, à educação que recebi, à minha espiritualidade. Mas não graças à Igreja.

Aliás, ela é o principal motivo por que não sou praticante. Sua filosofia, seus dogmas, seus padres, sua irracionalidade, sua hipocrisia. Tudo isso me faz ter vergonha, isso sim, dessa religião. É, sou revoltada mesmo.

E fico cada vez mais revoltada. Como nesses últimos tempos, em que dois casos envolvendo a Igreja ganharam espaço na mídia.

O primeiro já está até "antigo". A respeito do arcebispo de Olinda e Recife e seu posicionamento diante do aborto da menina de 9 anos, que estava grávida de gêmeos por estupro. Seu padrasto abusava dela desde os 6. Esse caso rendeu até entrevista nas Páginas Amarelas desta semana na Veja. Pessoalmente, acho a Veja um tanto quanto partidária. Em certos casos, ela demonstra sua opinião a respeito do assunto abordado, polemizando bastante. Normalmente, acho isso terrível, considerando que o Jornalismo não permite isso. Mas, nesse caso, eu admito que gostei.

Essa entrevista mostrou a inconsistência das leis eclesiásticas. Destacou a falta de interesse: em um momento, o entrevistador pergunta sobre que tipo de ajuda seria oferecida à menina e sua família, caso elas acatassem a opinião da Igreja. A resposta foi bem vaga, dizendo que a família não era pobre a ponto de passar fome. Ah, tá. E aí?

Em outro momento, a pergunta foi bem básica: qual é o nome da menina? Nem o entrevistado, nem qualquer uma das cinco ou seis outras pessoas que o acompanhavam souberam dizer. Daí a gente pode tirar boas conclusões.

Aí eu li, no G1, que a Igreja não costuma comunicar esse tipo de decisão (de excomunhão). Eles fazem e pronto; ninguém precisa ficar sabendo. Então, que esse arcebispo fizesse e ficasse na dele. Agora vem um bando de gente pedindo pra "deixá-lo em paz". Ora, se ele não se metesse na vida alheia, talvez os outros não fizessem o mesmo com ele.

Ai, ai... deixem-me respirar e baixar a bola da minha indignação.

Ok, vamos lá. Outra declaração infeliz foi a do Papa, nesta semana. Sobre o combate à aids. Segundo ele, a camisinha não é a forma correta para combatê-la. E foi além: sua distribuição PIORA esse problema. Ah, MUITO BEM!!! Palmas para ele, que não tem uma solução inteligente (abstinência é utopia, senhor Bento! Deixe de ser ingênuo!) e ainda critica a ÚNICA ação que tem mostrado resultados na luta contra essa terrível doença.

Eu sei que as pessoas têm direito de pensar e falar. Mas a Igreja é formadora de opinião e precisa ser responsável. No dia em que o Vaticano parar de ostentar ouro, pedras preciosas, trajes de "grife" e jato particular(avareza é um pecado capital, heim!), talvez eu venha a respeitá-la como "porta-voz de Deus". Até lá, considero que ela não tem direito a criticar o modo de vida alheio.

terça-feira, 17 de março de 2009

Eta, soninho bom...

Esse horário pós-almoço é uma grande sacanagem com o proletário. Depois de papar um marmitão, é fisiologicamente impossível manter um ritmo normal ou aceitável de retomada ao serviço, concordam?

Pois cá estou eu, sonolenta como o quê, lutando contra as tradicionais "pescadas" em cima do teclado. Blogar, neste momento, está sendo um estratagema para não cair babando sobre a mesa.

Meditando sobre meu lamentável estado, lembrei-me de duas situações ridículas por que passei, há cerca de dois anos, no meu antigo trabalho. Tudo graças ao irremediável sono.

Numa dessas ocasiões, pra piorar o cenário, meu antigo chefe convocou uma reunião da gerência às 14h. Tratava-se da apresentação de um projeto bem-sucedido de uma colega. Sacaram? Uma apresentação. Em power point. Com projetor. Em uma sala escura.

Aaaaaaaaaaaah! Minha 2ª maior vontade (sim, porque a 1ª era obviamente me aconchegar e dormir) era sair gritando de desespero. Eu me segurei e me segurei... até que fui literalmente vencida pelo cansaço. As pescadas ficaram cada vez mais evidentes (ao menos para mim, que passava o vexame). A cabeça ia e vinha, parecendo um joão-bobo. Foi podre.

Numa dessas idas e vindas, meu amigo Y me viu. E eu o vi também. O coitado, sem reação, resolveu se levantar e abrir a janela (???) para abafar o riso.

Nunca uma reunião demorou tanto. Pelo menos, não na minha cabeça. Óbvio que eu fiquei preocupada... afinal, nossa pequena equipe se resumia em sete pessoas. Mas então descobri, perguntando aos colegas, se alguém mais havia visto meu papelão. E, ufa! Dessa, eu me salvei. Y foi minha única testemunha. Depois disso, o gesto de deixar a cabeça cair para o lado (como aconteceu várias vezes comigo, na ocasião) virou inside joke.

A segunda memorável situação de sono, também nesse antigo trampo, ocorreu em um treinamento marcado durante todo o fim de semana. Pensem: sábado e domingo, durante todo o dia (a gente chegava por volta das 7h e saía às 18h), treinando. Certas etapas foram produtivas. Mas outras... pelamordedeus. Estas envolviam adivinhem o quê? Power point, projetor e escuridão. Ah... aí eles pediram, né?

Pois sentei-me na última fileira, lá em cima, no auditório. Bem ao lado do projetor. E quem era meu vizinho? Amigo Y. Enquanto um pôs a cabeça para a direita, o outro apoiou-se à esquerda. E assim passaram-se... bem, sei lá. Até porque nossos olhos estavam fechados, né.

Nesse caso, juro que não fiquei com a consciência tão pesada. Até porque a estratégia do sofrível RH não foi das mais brilhantes. Não contentes de nos obrigarem a participar desse evento (de cujo conteúdo eu sabia de cabo a rabo, uma vez que se tratava de projetos de nossa superintendência), fizeram-nos acordar duas horas mais cedo do que em dia regular de trabalho e ainda nos colocaram em uma sala escura logo após o almoço. Ô, dó.

Pois não bastasse surrupiar um fim de semana, meses depois marcaram outro treinamento assim. Dessa vez, eu pensei: "recuso-me a dormir". Então, pra driblar a monotonia (digamos que meus chefes não dominavam a arte de elaborar apresentações), resolvi fazer anotações. Anotei todas as "pérolas". Foram três folhas inteiras de declarações infelizes feitas por nossos gestores. Pena que não guardei esse caderno; hoje esse material daria um belo post aqui. Pena maior o fato de eu não me lembrar de nenhuma delas para citar. Sacanagem.

Bem... o fato é que escrever funcionou. Não dei sequer uma piscada mais lenta, durante toda aquela manhã de sábado.

Bottomline: esse artifício ainda funciona. Blogar está sendo um jeito ótimo de me manter acesa.


... Todos por um

Sabem aquele desenho do Pateta em que ele fica completamente psycho quando entra num carro? Pois bem, eu me identifico demais com ele.

Ontem recebi um e-mail de minha amiga M falando sobre como o stress no dia-a-dia é desnecessário. Que nós já temos muitos problemas para ficar esbravejando a torto a direito por motivos mínimos. E que, geralmente, essa brabeza surge porque temos a mania de nos acharmos o "umbigo do mundo".

Ok, isso faz sentido. Mas não é só por aí que a banda toca. Eu mesma me enervo justamente porque os outros só pensam em si mesmos. Sabe falta de educação? Poizé.

Voltando à questão do trânsito: eu uso muito o Eixão, aqui em Brasília. Sua velocidade máxima é de 80km/h. Paralela a essa famosa pista, correm dois Eixinhos a 60km/h. Mas é claaaaro que os rodas-presas andam no Eixão. Na última faixa. E, não felizes em atrasar a vida alheia, andando a 50km/h, eles ainda freiam quando avistam um radar. Isso é má educação (no sentido de falta de instrução, mesmo). Ou, no mínimo, estupidez.

Há, ainda, aqueles que acham que dirigem bem. Então, sentem-se seguros em tesourar os carros a torto e a direito, pondo em risco a vida dos outros. Isso, definitivamente, é má educação (no sentido de completa falta de noção). Sobre os porquinhos, prefiro nem comentar mais.

No tal e-mail, fala-se, por exemplo, sobre como não se deve ficar P da vida quando alguém estaciona grudado à porta do nosso carro, obrigando-nos a entrar pela porta do passageiro. Ok, também é válido. Mas, PQP... por que a gente precisa engolir o insulto, quando, na realidade, a idiotice (e, pasmem: má educação) alheia está, sim, atrapalhando??? Ah, não. E mais: e se o outro vizinho tiver a mesma atitude? A gente senta e espera, pensando em como a vida é boa e as pessoas são felizes? Ah, não MESMO.

Eu compreendo o porquê de um texto assim. Entendo que a gente precisa mudar alguns hábitos para viver melhor. Relaxar, tranquilizar. Levar a vida de forma mais light. Eu sei que ando estressada, e tento trabalhar isso em mim mesma. Mas uma coisa é ser paciente. Outra coisa é virar pastel.

Então, não concordo MESMO com textos assim. O estresse não é porque me sinto o umbigo do mundo. É porque os outros se acham, e não estão nem aí para quem ou o que está em volta deles. Sei que o começo de um mundo melhor parte de cada um. E, na minha opinião, o primeiro passo é que todos aprendam a dirigir.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Padro... o quê?

Que falta padronização na indústria, a gente sabe. Uma questão que volta e meia aparece nas minhas rodinhas de conversas é a numeração das roupas. É comum uma pessoa de manequim 40 ter roupas de 38 a 42 dentro de seu guarda-roupa. Isso acontece porque algumas confecções resolvem "alegrar" seus consumidores, enganando-os com numerações menores que a reais. Dizem que as pessoas gostam disso: experimentam uma roupa com numeração menor do que a usual, ficam felizes porque ela cabe e, assim, consomem.

Eu já me enganei muito com isso. É bom pensar: "nossa, tô emagrecendo!". Mas sei que não é verdade, né. E, sinceramente, já estou bem acostumada com situações em que, numa mesma loja, num mesmo dia, eu comprei calças com três tamanhos diferentes. E todas cabiam perfeitamente em mim. Mas uma experiência recente foi a mais engraçada. Andando pela C&A, eu me deparei com uma calça jeans que adorei, remarcada em R$39,90. Ciente desses devaneios numéricos de quem quer que etiquete as roupas, resolvi fazer uma comparação de cinturas entre as calças no cabideiro.

Primeiro, peguei uma 42: aparentemente, normal. Comparei com outra, da mesma numeração: minúscula. As duas tinham três dedos de diferença na cintura. Aí peguei uma 44. Ela tinha o mesmo tamanho da primeira 42. Então peguei uma segunda 44: muito maior. Aí encontrei duas 46. Uma delas era idêntica à primeira 42 e à primeira 44. E a outra, pasmem: era a menor de todas. Detalhe: essa zorra toda numa única arara. E todas eram do MESMO modelo. Como diria minha coleguinha F: sur-re-al.

Fiquei tão doida na cabine de provas de roupas, que resolvi deixar tudo lá, mesmo. Bando de gente doida!

E o engraçado é que não pára* por aí. Sapatos também sofrem desse mal. Mas o que me deixa mais revoltada são os alimentos. Hoje mesmo eu comi dois docinhos de leite do mesmo pote. E eles tinham gostos diferentes.

Há poucas coisas mais decepcionantes que estar com "aquela" vontade de comer ou beber alguma coisa... e, quando a gente dá a primeira mordida ou o primeiro gole, sente um gosto diferente àquele que lembramos. Triste, muito triste mesmo.

Taí! Eu já sei o que quero ser quando crescer: degustadora e/ou provadora. De roupas e de alimentos. Eu uso esse meu "poder" para o bem e todo mundo fica feliz. Ou pelo menos EU fico feliz, porque não vou mais passar por uma crise de identidade numérica como aquele na C&A...


*eu simplesmente não consigo me adaptar às novas regras ortográficas...!

P.S. tudo a ver: don't misunderstand me... eu AMO C&A (N fica doido comigo por causa disso... hahaha!). Mas que eles são loucos, ah, eles são, sim.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Trocadilho trash


Pior que Sexta-Feira 13, só o remake.
Este é meu pequeno "trocadilho-trash-homenagem" à segunda sexta-feira 13 consecutiva de 2009.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Saudade


Os românticos vangloriam-se porque a língua portuguesa é "a única que possui o substantivo 'saudade'". Mas o importante não é saber falar. É saber sentir.

Sinto saudade de quando eu era uma menina tímida e chorona, mas me divertia horrores. Das tardes livres e também da correria entre natação, balé, inglês, japonês e o diabo a quatro. De usar tênis grande, com algodão na ponta do pé, porque eu ainda ia crescer. E de perceber que já não precisava mais desse algodão.

Saudade de imaginar que, aos 30 anos, eu já seria "velha". De caber na cama com 50 bichinhos de pelúcia. De sonhar todas as noites. De ser acalmada por meus pais quando eu tinha pesadelo. De acreditar que dormir ao lado deles era a causa desse pesadelo não voltar mais.

Saudade de pensar no futuro como algo distante. De planejá-lo por brincadeira, e não por ofício.

Saudade dos amigos de infância e distantes. De conversar sobre figurinhas, o menino mais bonito da sala, papel de carta e canetas coloridas. De me corresponder por carta, e não por e-mail. De ser chamada por um grito na janela, e não por um SMS.

Saudade de programar o cinema com os amiguinhos com duas semanas de antecedência. De escolher o que eu vestiria com mais antecipação do que quando eu costumo decidir o mesmo tipo de encontro, nos dias de hoje.

Saudade do colo dos pais. Das férias em família. De usar maiô porque tinha vergonha de usar biquíni. De engordar sem culpa. De experimentar novos sabores por obrigação e perceber que eles eram gostosos. De quando o castigo era ficar sozinha no quarto. Da disciplina que meus pais impunham. De pensar que a vida era injusta, sem ter idéia do que era injustiça.

Saudade da companhia do meu cachorro. De tomar banho de mangueira e de chuva, sem julgamentos. De não ter que lavar a própria roupa. De dormir depois do almoço.

Tenho saudade de muita coisa. De muita gente. De muitos momentos.

Fico sensível ao lembrar disso tudo. Mas não triste. Graças a Deus tenho motivos para saudosismo. Só espero que o agora também se torne uma boa lembrança para o futuro.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Quinze anos não são quinze dias



Há quinze anos, minha vida era bem diferente. Eu estava na escola e ainda nem tinha certeza do que eu queria ser quando crescesse. Mas algo era constante: minha vontade de, pela primeira vez na vida, ganhar um cachorrinho.

Eu já havia pedido aos meus pais algumas vezes, e a resposta era sempre a mesma: “não, filha, você não vai cuidar”. Por mais que eu não admitisse, no fundo sabia que era verdade. E ficava chateada com a negativa. Houve uma vez em que minha mãe chegou a me oferecer um coelho no lugar. Isso foi um pouco antes da Páscoa.

Naquele 21 de abril, houve um aniversário. Era a festa de um amigo, Dalton. E, entre os convidados presentes, minhas amigas Daniella e Karine estavam aflitas porque sua Petty estava prestes a ter uma ninhada, junto com seu Tutti. E ligavam a toda hora para casa, querendo saber novidades. Foi após um desses telefonemas que elas vieram gritando pela casa: “nasceram!”. Confesso que não lembro a quantidade de filhotes. Mas fiquei feliz por minhas amigas.

Nos dois meses seguintes, fui duas ou três vezes visitar minhas amigas. Éramos realmente muito ligadas, e eu simplesmente adorava pegar aqueles pequenos poodles no colo. Elas falavam o tempo todo sobre como os filhotinhos estavam indo embora aos poucos. E foi às vésperas do meu 15º aniversário que Dani veio falar que faltava apenas mais um bebê, pretinho (mas que, segundo ela dizia, ficaria cinza, pela coloração da pele).

Estávamos no intervalo da aula de japonês e lembro exatamente o olhar de Dani quando teve a idéia: “por que você não fica com ele??? É perfeito; minha mãe se acalmará porque finalmente acabarão os filhotes... e nós não ficaremos tristes, pois o pequeno ficará perto de nós, com uma amiga!!! Você precisa aceitar!!!”. Falei que meus pais não deixariam, mas ela viu como fiquei tentada com a proposta – e, assim, as duas irmãs decidiram falar diretamente com meu pai, assim que ele chegou para me buscar.

Uma coisa era certa: Dani e Kuri sabiam como convencer. Seu jeitinho doce amaciou papai, que, para a minha surpresa, aceitou, caso mamãe também fosse a favor. E mamãe concordou, sob a condição de que eu seria a responsável pelo cachorrinho. Lembrando, sempre, que um cachorro não era descartável: ele viveria muito tempo e eu não poderia simplesmente “enjoar” dele.

Dois dias depois, no exato dia de meu aniversário, eu voltaria do nihongakô com uma bolinha peluda e pretinha. Lembro que preparamos o porta-malas da Belina com papelão e uma toalha, para que ele não viesse no banco. Recordo-me das curvas, em que o pequenino escorregava de um lado para o outro sobre o papelão. E de como ele vomitou, coitadinho, enjoado da viagem para casa.

Já em casa, preparei uma casinha para o filhote. Mais uma toalha; mais uma caixa de papelão. E outra caixa na porta da cozinha, para inibir a passagem do peludinho às outras dependências da casa. A ração era um pozinho marrom fedorento que, misturado à água, formava uma papa nojenta, mas que o filhote parecia apreciar.

As primeiras noites não foram fáceis. Ele sentia falta de seus pais, e chorava bastante quando ficava sozinho. Eu permanecia perto dele, fazendo carinho, até que adormecesse. Só então eu podia apagar as luzes e ir dormir.

Os dias se passavam e eu não conseguia decidir o nome de meu bebê. Sim, porque, sob tantos cuidados, a gente começou a brincar que ele era meu filho; meus pais eram seu ditian e batian; meus irmãos eram tio e tia. Até que um dia eu passei dentro do carro olhando as fachadas das lojas. Foi quando li “Milano”. E, não sei por quê, pensei no personagem francês Milou, o cachorrinho do Tintin. E decidi: Milú.

O nome foi motivo para brigas, até. Minha irmã falou sobre como Milú não poderia ser acentuado. E eu dizia: “é nome próprio. Pode ser de qualquer jeito. Temos uma prima Monica sem acento, ué.” Discutimos até mamãe intervir: “deixe-a. O cachorro é dela; ela decide como escreverá o nome. Que diferença faz???”. É, acho mamãe incrivelmente sábia quando ela fica do meu lado.

Milú era realmente divertido. Uma bolinha de pêlos ativa, que corria para lá e para cá. E nos entretia escorregando pelo azulejo da cozinha e da área de serviço. Depois que recebeu todas as vacinas, comecei a sair três vezes ao dia com ele. Ele ficava enlouquecido e gostava de correr na grama. Bom mesmo foi quando descobrimos aquela correia retrátil, que esticava bastante para dar mais liberdade a ele. E essa liberdade foi sendo cada vez mais conquistada, inclusive dentro de casa. Aos poucos, ele foi “se infiltrando” na sala.

Para mim, tudo era descoberta. Durante a minha infância, tive muito medo de cachorros. Era aquela criança que ficava histérica ao ver que algum cão se aproximava. Com direito a subir na mesa e tudo mais. Sabe-se lá como ou por que, perdi o medo. E me tornei uma verdadeira fã desses animaizinhos. Antes do Milú, eu nunca tinha visto um cachorro dormir. Nunca tinha presenciado um espirro. Não fazia idéia da necessidade de escovar seus pêlos diariamente. Não sabia como o instinto os fazia querer esconder guloseimas, como ossinhos ou biscoitos. Meu bebê costumava “cavar” os sofás, colchonetes e tapetes, depositar seu presente e, depois, “empurrar” a terra imaginária para cobri-lo. Ele era um filhote curioso e assustado. Fuçava o que não devia; entrava onde não podia. Foram várias as vezes em que mamãe o tirou de baixo da geladeira. De mansinho, chegava perto de tudo, mas tinha medo de barulho. A porta de correr de ferro era sempre um motivo para sobressaltos e correrias. Ficava com as orelhas em pé quando ouvia cachorros na TV – e se aproximava interessado de onde saía o som. Demorei a conhecer seu uivo, mas houve noites em que ele resolvia saudar a lua, mesmo de dentro de casa. Vai entender...

Era eu quem trocava os jornais de seu cantinho, dava comida e água. Eu mantinha a rotina de passear e dava banho – no tanque ou no chuveiro. E lavava suas patinhas, focinho, piu-piu e bumbum, a cada retorno da rua, para que pudesse ter trânsito livre nos sofás e camas da casa, sem perigo de sujar tudo. Mas eu passava boa parte dos dias fora, fosse por causa da escola ou das atividades extracurriculares. Então, Milú acostumou-se mais com a presença de minha mãe. E, graças a isso, ele adotou mamãe como sua dona. Esse também foi o motivo por que ele gostava de roubar os chinelos dela, mais do que os dos outros membros da casa. E ela já nem se importava mais. Era comum sair de casa com seus chinelos furadinhos ou roídos. Não bastavam brinquedos mastigáveis. Os chinelos eram mais interessantes.

Ficou intrigado quando cheguei em casa com a hamster que ganhei de minha prima. Zíngara tinha hábitos noturnos, mas, Milú, intrigado, ficava de olho na gaiola o dia inteiro, esperando que ela saísse de sua casinha. Quando ela resolvia correr na rodinha, ele enlouquecia. Ficava em pé para chegar perto e só sossegava quando o pegávamos no colo para que olhasse um pouco a pequena ratinha. E ela era brava, arrepiava-se todinha e me mordia toda vez que eu ia colocar comida para ela. Ela viveu pouco mais de oito meses.

O tempo passou. Meu bebê cresceu e, conforme Daniella havia previsto, Milú ficou acinzentado. Pode parecer protecionismo, mas eu sinceramente acho que nunca vi um poodle tão ou mais lindo que ele. Tinha pernas compridas e porte elegante, olhos azulados (especialmente sob a luz do sol) e focinho médio – nem curto, nem comprido. Era a mistura perfeita de seus pais: o corpo esguio de Tutti com a cabeça delicada de Petty. Até a cor era misturada: Petty era pretinha e Tutti era branquinho. Aquele filhote que não tinha sido escolhido por ninguém acabou se tornando um belo cãozinho. E não era só a mãe babona que dizia. Era comum sermos abordados por pessoas na rua, perguntando se eu o deixaria cruzar com suas respectivas cachorrinhas, quando estas entrassem no cio. Eu aceitava, mas pena que isso nunca acabou se concretizando.

E por falar em beleza, digo que bonita, mesmo, era a amizade que ele mantinha com os cachorros vizinhos. Era simplesmente apaixonado pela pinscher Lua e a cocker spaniel Aline. E tornou-se um amigo querido de um filhote de são bernardo, cujo nome confesso que esqueci agora. Conforme o tempo passava, seu amiguinho, que inicialmente era menor que Milú, foi crescendo e ficou cerca de sete ou oito vezes maior que ele. Mas continuava brincalhão, e adorava meu bebê. Numa de nossas saídas, o pequeno-grande amigo avistou Milú de longe. E, dali mesmo, pegou impulso e veio correndo em nossa direção, com a intenção de brincar. Mas ele não viu a correia retrátil esticada, e nela tropeçou. Com seu peso e sua força, ele obviamente nos carregou. Milú, eu e ele (preciso me lembrar de seu nome!!! Seria Zeus?) rolamos no chão. Ninguém se machucou, mas, aparentemente, o ego de Milú foi ferido. Desde então, ele ficou bastante sentido com nosso amigo, e não brincou mais com ele. Quando o grandão se aproximava, Milú latia e rosnava. Infelizmente, não o perdoou mais. E seu amigo ficou sem entender, tadinho.

Certa vez, Milú adoeceu. Pegou resfriado. Mamãe, com dó do pequeno neto, resolveu deixá-lo dormir em seu quarto. Todas as noites, até que melhorasse. E depois disso também.

Quando viajávamos e ele não podia ir, eu o deixava em hotéis para pets. Numa dessas empreitadas, voltamos à noite e fomos buscá-lo. Foi uma verdadeira confusão quando percebemos que ele estava sozinho, sem ninguém cuidando. Do lado de fora, chamávamos por algum funcionário. De lá dentro, Milú ouvia e chorava por nós. Mas ninguém aparecia. Depois de várias ligações, finalmente apareceu um rapaz, que parecia estar dormindo, apesar de o estabelecimento divulgar seu funcionamento 24h. Papai brigava como se fosse um de seus filhos preso ali. Numa outra ocasião, ele adoeceu logo após sua estadia em outro hotel. Contraiu parvovirose. Passou alguns dias internado, e meus pais não permitiam que eu fosse visitar. Papai chegou a conversar comigo a fim de me preparar para perder Milú, uma vez que ele estava realmente muito debilitado. Mas meu pequeno guerreiro venceu a doença. E voltou para mim.

Certas vezes, ele pôde viajar também. No carro, ele ficava inquieto. Ia para frente, voltava para trás. Púnhamos um travesseiro para ele, mas não o contentava. Chorava porque não conseguia se acomodar. E nós chorávamos porque ele não nos deixava dormir.

Se eu viajasse de avião, ele ia em sua caixinha. Eu adiava ao máximo a aplicação do calmante, e mesmo assim o efeito passava antes da hora. Houve uma vez em que o vôo atrasou horrores e eu sofri a viagem inteira, porque sabia que ele ia sofrer também. Quando foi despachado na esteira de bagagens, ele chorava com sofrimento. E eu chorei com ele, por ter causado dor ao meu bebê. Foi a última vez que eu o submeti a essa experiência. Depois disso, era preciso me programar para viajar somente quando houvesse alguém em casa, para que pudesse cuidar dele. Não houve mais viagens em família.

Mais alguns anos se passaram. Eu entrei na faculdade. Meus pais se mudaram em definitivo para outra cidade. Meus irmãos e eu nos mudamos para um apartamento. A escolha do imóvel levou em conta meu filho. Não dava pra ter carpete e a área de serviço precisava ter espaço para o seu jornal. Era a segunda mudança de casa por que Milú passava, e ele parecia gostar, apesar de obviamente não ser tão bom quanto morar em uma casa. E, para observar a vida lá fora, ele adotou um canto especial na sala: o encosto do sofá, que ficava exatamente na altura da janela.

E ele viu a vida passar. Aquele exato ponto no sofá ficou completamente gasto. Quando um cachorro grande passava por ali, ele se levantava e latia com fúria. Naquela quadra, havia uma turma de “pitboys”. Então, ele realmente se ocupava enquanto eu não estava em casa. Pobres vizinhos.

Os pitbulls eram uma atração à parte. Seus mirrados donos posavam de fortes adultos, quando todos sabiam que, na verdade, os cachorros é que os carregavam. Um simples puxão na correia arrastaria qualquer um daqueles adolescentes magrelos. Mas eles, que optaram por ignorar essa realidade, resolveram montar uma verdadeira academia ao ar livre para seus cães. Era comum passar pelo gramado da quadra e notar algum daqueles pitbulls pendurado apenas com a força de sua poderosa mandíbula. Detalhe: geralmente ele estava sozinho, sem a supervisão de sequer uma pessoa que pudesse segurá-lo ou comandá-lo.

Todos temiam esses animais. Não apenas por sua fama de maus – até porque os bichos, tais como os humanos, não têm má índole –, mas porque seus ridículos proprietários os treinavam para o ataque. Certa vez, um deles avançou em um chow-chow no meio do estacionamento. Os ganidos da vítima chamaram a atenção de todos e atraiu os vizinhos às janelas – inclusive eu. A maioria gritava e pedia para alguém matar o pitbull a pauladas – inclusive eu. Como era de se esperar, os comandos do dono não surtiram o menor efeito sobre o cão. Suas puxadas na correia, idem. Até que ele resolveu dar pauladas na cabeça do próprio cachorro. Uma, duas, três pauladas. E seu cão branco se mantinha imóvel, com os dentes fincados na cabeça do outro cachorro. Quatro, cinco, seis pauladas. E só então ele largou a vítima, que saiu sangrando e chorando. De suas janelas, as pessoas continuavam gritando e pedindo a morte do agressor. O chow-chow sobreviveu.

Nas semanas seguintes, o menino parecia humilhado. Seu cachorro usava focinheira. E, mesmo trajando tal equipamento, o cachorrão continuava valente. Até que um dia o garoto resolveu tirar a focinheira de seu cão. E, tempos depois, essa decisão me afetou.

Como eu fazia todos os dias, saí com o meu bebê. Dei algumas voltas pela quadra e, quando estava chegando a minha portaria, notei em visão periférica que algo se movia rapidamente em minha direção. Cerca de dois segundos foram o tempo para olhar para meu lado esquerdo, perceber que se tratava do pitbull branco solto, puxar a correia do Milú para pegá-lo no colo e protegê-lo com meus braços e corpo, até que o grande cão batesse rudemente na minha perna e, frustrado, desse meia-volta. Ou seja: aquele animal estava pronto para atacar o meu filho. Gritei como nunca com aquele moleque e falei para ele nunca mais chegar perto de mim ou do meu cãozinho com aquele monstro. Que ele devia colocar uma correia naquele bicho. Porque se ele se aproximasse novamente, eu o mataria sem o menor pudor e teria toda a vizinhança ao meu lado. Nunca mais fomos incomodados por aquela dupla.

Mais tempo se passou. Eu me tornei adulta; comecei a trabalhar o dia inteiro. E o Milú se manteve firme e forte. Eu ficava triste por deixá-lo sozinho a maior parte do tempo. Era realmente uma judiação. E mesmo assim ele me recebia com festa todos os dias. Ele reconhecia o ruído dos carros da casa. Sentia quando a gente se aproximava da porta. E aprontava uma algazarra.

Uma vez, fui a primeira a chegar em casa. Ele permaneceu em silêncio. Vi as coisas reviradas. Demorei a notar e admitir: tínhamos sido roubados. Invadiram o apartamento e levaram muita coisa. E, ainda por cima, chutaram meu cachorrinho. Por várias semanas, Milú ficou com suas costas sensíveis e chorava, dependendo de como eu o segurasse ou fizesse carinho. A cada novo ganido, mais eu xingava aqueles ladrões fdp. Mas ele ficou bem novamente.

Sim, meu “bebêbze” (eu me acostumei a chamá-lo assim) sempre foi duro na queda. Até quando ainda era literalmente um bebê, e meu irmão o derrubou acidentalmente. Tomou um verdadeiro susto, mas não se machucou. Olhando para trás, percebo como esse pequeno poodle tinha a força de um rottweiller.

Nós nos mudamos de novo. Outro apartamento que Milú adorou conhecer. Assim que entrou em casa pela primeira vez, correu e explorou todos os seus cantos. E fez questão de marcar território, se é que vocês me entendem.

De vez em quando, “escapulia”. Fosse para chamar atenção ou por birra, mesmo, ele fazia xixi em lugares impróprios. Nesses casos, ele geralmente entrava no quarto do tio e “batizava” a cadeira. Ele sabia que isso acabaria resultando numa gritaria monstruosa, e parece que era exatamente isso que esperava. Esse feio hábito começou a ficar tão costumeiro, que meu irmão decidiu bloquear a porta. Primeiro, encaixou um colchão no batente. Depois, inventou uma trava prendendo a porta do quarto à porta do armário. Ele não gostava de fechar totalmente a porta porque achava que abafava demais o ambiente.

Já no quarto da tia, ele gostava de entrar para vasculhar as coisas. Fuçava tudo à procura de balas, doces, salgadinhos. Jamais se cansou de levar broncas dos tios. E, a cada nova “arte” do Milú, eu, a mãe, tinha que ouvir algum sermão de seus irmãos mais velhos. Quando aprontava, ele se escondia com o rabinho entre as pernas, antes mesmo de percebermos a burrada.

Aliás, ter um bichinho como ele prova que a comunicação não precisa de palavras. Suas atitudes falavam muito, e eu, como mãe, sabia e entendia quando ele queria dizer alguma coisa. E vice-versa. Se a família começava a trocar de roupa, ele já se entristecia porque sabia que ia ficar só; ou se empolgava, querendo se juntar a nós. Se começava a choramingar próximo a mim, era para pedir a troca da água. Se se escondia à toa, era porque tinha feito algo errado. Se um de nós começasse a andar pela casa e ele corresse desesperado na nossa frente, era porque tinha escondido alguma guloseima e não queria que encontrássemos (mas ele nos mostrava, meio que dizendo: “olhe, é meu e eu guardei aqui... não mexa, ok?”). Se eu apontava em silêncio para alguma direção, ele entendia que era para se retirar. Ele me compreendia só de olhar para a minha cara.

Nossos hábitos não eram bem-vistos por alguns. Na minha opinião, só tendo um cãozinho para entender. Sem minha mãe por perto, ele entendia que eu era sua dona. Eu chegava em casa e ele fazia festa. Era meu “rabinho”; me acompanhava para lá e para cá. Às vezes, isso chegava a me incomodar. Quando eu estava estressada ou triste, e queria ficar só. Mas seu simples olhar me aliviava aos poucos. Muitas vezes, ouviu em silêncio minhas queixas, meus lamentos. Testemunhou meus choros. É claro que não entendia minhas palavras, mas respeitava meus momentos, apenas se juntando a mim e me pedindo carinho. Eu o beijava e o deixava me beijar.

Eu conversava com ele como se ele fosse me responder. Frases como “viu só que coisa mais linda, bebêbze?” ou “sabe o que me aconteceu hoje, meu amor?” eram comuns. Loucura? Talvez. Mas ele era minha companhia, meu amigo, meu neném. E compartilhava momentos e segredos que ninguém mais sabia ou se interessava. Dormia em minha cama (apesar de ter sua própria, também no meu quarto) e se ajeitava grudado a mim quando eu me sentava ou me deitava. Inúmeras foram as ocasiões em que, do nada, deitou-se com a barriga para cima, só para ganhar um afago. Ou se posicionava próximo a minha mão quando eu dizia: “quer coça-coça?”. Era a senha para ganhar um cafuné. E ele adorava se eu ficava horas e horas mexendo em seu pescoço, cabeça e orelhas... então, ele ia fechando os olhinhos e caindo para o lado, preguiçoso.

Ele gostava de se sentar com as pernas abertas. E, às vezes, sentava-se também com as patinhas para um só lado, meio tortinho. Quando estava dormindo gostoso, deitava-se com a barriga para cima e “se espalhava” no chão. Quando estava realmente cansado, roncava alto e nos arrancava gargalhadas. Às vezes, soltava gases. Era tão podre que eu brincava que ele era tóxico. Ocasionalmente, fazia barulho e ele não entendia de onde via aquele som. Ele se assustava, levantava-se num pulo e olhava para trás, como que perguntando: “quem fez isso?”. Outras vezes, ele soltava seu pum silenciosamente, saía do recinto e deixava apenas o rastro fedorento, nos fazendo reclamar. Na época, ele comia de tudo, e adorava frutas. E pepino, então? Ele não podia ver minha mãe pegando um na geladeira, que se posicionava com as orelhas em pé. Dava a patinha e fazia “tim” (sentar-se apenas sobre as patas traseiras), pois entendia que, fazendo seu “showzinho”, ganharia o que quisesse. E funcionava: ele recebia as cobiçadas fatias, que roía feliz. Banana também rendia algumas peripécias.

Deitava-se em posição de sapo, com as patas completamente abertas, quando sentia calor. O chão era seu ar condicionado particular. Alguns minutos depois, ele se levantava e se mudava para um lugar geladinho. E, quando este esquentava com seu calor, ele trocava novamente. Freqüentemente deixava no chão marcas de vapor com o formato de suas patinhas, assim que se levantava. Mas meu bebê também sentia frio, principalmente quando estava tosado. Quando ele se enrolava demais ou escolhia lugares mais fofinhos para se deitar, era porque estava desconfortável. E lá ia a mãe superprotetora vestir uma roupinha quente em seu filhinho. Inicialmente, ele tinha duas e, com o passar dos anos, ganhou mais: a blusa do São Paulo, do Batman (“bátimo!”) e, quando já estava velhinho, um casaquinho enviado do Japão. Meus amigos diziam que era muita frescura. Mas eu nem ligava. E ele parecia gostar, pois reclamava quando eu tentava despi-lo depois.

E os dias chuvosos, então? Eu morria de rir com uma invenção que mamãe e eu tivemos: capa de chuva descartável. Eu pegava um saco plástico de supermercado, cortava em locais estratégicos e vestia no Milú. Um saco menor servia de chapéu. E o engraçado é que ambos cabiam perfeitamente! Seus 6kg ficavam bem protegidos e sequinhos sob a criação fashion – e reciclável. E ele podia sair livremente, sem precisar dividir o guarda-chuva comigo.

Dos passeios diários, Milú trouxe pulgas para casa. Vez ou outra, mamãe, papai e eu o pegávamos para catar e matar seus pequenos predadores. Não havia Frontline que desse jeito nessa praga, que inicialmente era indefesa. Até que tivemos um surto de coceiras em casa. Aí, comprei veneno e passei por toda a casa. Milú tomou vários banhos com xampus especiais e remédios. Depois disso, ele nunca mais voltou com “amiguinhos” para casa.

Eu adorava pegá-lo no pet shop após um banho ou tosa. Ele chegava ornado com uma gravatinha e ficava desesperado para me encontrar. “Salve-me”, seus olhos me pediam. Ora, na realidade, eu era a causadora dessa moléstia. Mas ele se agarrava no meu braço – sim, ele literalmente se segurava, entrelaçando suas patinhas em meu braço quando eu o pegava no colo. E eu ficava dias e dias fungando seu cangote, porque ele ficava muito, muito perfumado. Uma fofura, principalmente quando estava bem peludinho. Lembrava aqueles fluffies. Meu ditian disse, certa vez, que o Milú parecia um “kumá” (urso, em japonês).

Uma amiga brincava que a pinta que tenho na palma da mão retratava o Milú em minha vida. Eu adorava repetir isso também, porque fazia parecer que tínhamos sido feitos um para o outro.

Meu bebê era bonzinho, mas tinha seus momentos “pimentinha”. Ele não era exatamente o que se pode chamar de educado. Latia demais, principalmente para expressar alegria. Nos últimos anos, latia até mesmo para a sua ração, fazendo festa com ela. Ele pegava um ou dois grãos e jogava para o alto, para eles quicarem. E bradava com felicidade quando isso acontecia. Pulava nas visitas e grudava nelas como se, coitadinho, não ganhasse carinho de ninguém. Fazia dengo, obrigava-as a fazer cafuné nele e resmungava quando elas paravam de acariciá-lo. Ele me matava de vergonha, principalmente de quem não era muito fã de cachorros. Mas ele não se importava e pentelhava todos, sem preconceito. Na rua, gostava de provocar os outros cachorros, em especial os grandões. Talvez ainda fosse pelo trauma daquele são bernardo. Talvez ele simplesmente fosse sem noção. Mas passei por alguns sufocos graças a essa “bravura” excessiva.

Uma tarde, em um passeio pela quadra, um pequeno vira-lata se aproximou e, sem nenhum aviso de estranheza, mordeu Milú. Primeiro, tive vontade de chutar aquele pulguento pra longe, cuja dona era uma completa tapada. Depois, reparei que meu bebê sangrava muito. Um dente machucou o crânio e outro furou pouco menos de 1cm abaixo do olho direito. Era esse segundo ferimento que sangrava mais. Deixei aquele bicho feio pra lá, aninhei Milú em meus braços e ele permaneceu imóvel enquanto eu corria para a janela de casa. Ali embaixo, gritei para minha irmã e minha mãe nos acudirem. Eu chorava, coberta de sangue, e elas se assustaram. Elas pegaram a chave do carro e rumamos ao veterinário.

As vacinas de Milú estavam em dia, o que significava que ele não corria perigo de contrair raiva, por exemplo. Foram quatro pontos em meu bebê, que continuava quietinho. Quando voltamos para casa, fui tirar satisfação daquela anta que era a dona do cachorro. Falei sobre o trauma e as despesas causadas por seu animal. E ameacei, em tom de déja vu: se aquele cachorro chegasse perto mais uma vez do Milú, eu o chutaria, sim. E o mataria, se necessário fosse. Sei que cães têm atitudes imprevistas, e era exatamente por isso que eu saía com o Milú preso a uma correia. Recomendei que, se ela tinha amor por seu bicho, que fizesse o mesmo, ou eu não responderia pelos meus atos. Era a segunda vez que eu ameaçava o dono de um cachorro em prol do meu pequeno. Eu me sentia uma leoa, protegendo minha cria com garras e dentes. E ai de quem tentasse pôr isso à prova.

Nunca mais vi esse vira-lata na rua.

Não sei se Milú ficou traumatizado, mas confesso que eu, sim, fiquei. E, conscientemente ou não, diminuí nossas saídas. Nos últimos anos, praticamente não o levava mais para passear. Levei muitas broncas por isso. Meu irmão, meus pais, meus amigos, meu namorado. Ouvi sermões que eu sei que faziam sentido. Meu medo não fazia, mas, assim como o amor que eu sentia por ele, não tinha explicação. Existia e pronto. E não havia discussão que me fizesse mudar de idéia.

Mais anos se passaram. E ele continuou ao meu lado. Sua presença era algo que eu tinha como certo, independente da hora. Mesmo assim, a rotina de chegar em casa era, muitas vezes, motivo de gritaria. Meus irmãos ou eu acabávamos nos exaltando, solicitando silêncio. Eram noites ou madrugadas em que a gente queria evitar atrito com os vizinhos. Mas o engraçado é que, muitas vezes, nossas reclamações ultrapassavam em muitos decibéis a saudação do meu pequeno neném.

A velhice afetou sua audição. Com cerca de onze a doze anos de idade, comecei a perceber que ele não me atendia como antes. Meus comandos foram ficando cada vez mais altos, até que minha voz já não era mais suficiente. Eu tinha que chamar sua atenção batendo palmas. E ele atendia, não sei se por obediência (que, vamos combinar, nunca foi seu forte) ou porque minhas palmas são realmente muito barulhentas.

Assim como seus ouvidos, os velhos olhos também se cansaram. Aliás, estes começaram a enfraquecer muito antes, devido à catarata, mas seu declínio foi bem mais lento. Quando já estava bem velhotinho, ele ficava confuso quando o sol se punha. Já não conseguia descer ou subir na cama à noite, e chorava quando se sentia inseguro em saltar no escuro. Por isso, acostumou-se a dormir no chão. Nos últimos tempos, ele não conseguia me seguir à noite, a não ser que eu acendesse as lâmpadas. E choramingava quando não conseguia me enxergar, mesmo sabendo que eu estava ali.

A idade afetou seus sentidos. Mas o latido continuava firme e forte, para nosso desespero.

Quanto mais velhinho ele ficava, menos atenção eu dava a ele. E menos ele solicitava, também. Eu não percebia o que estava fazendo, mas, no final, parece que acabei concretizando exatamente o que minha mãe me alertou no início: eu “enjoei”. Como se não bastasse não sair mais como antes, eu também já não o escovava. Não dava mais banhos tão freqüentes. Mas, é claro, cuidava de seu essencial: comida, água e carinho, todas as noites e todas as manhãs. Milú continuou sendo meu bebê, apesar de sua idade avançada. Tornou-se comum ouvir indagações surpresas de meus amigos: “ele ainda está vivo?” ou “ainda é aquele cachorro?”. Eu me divertia com isso. E os desconhecidos massageavam meu ego quando diziam: “o quê? Ele tem 14 anos? Mas parece um filhotinho...”. E era a mais pura verdade. Cego ou surdo, ele continuava meigo. E empolgado, saltitante, aloprado.

Em todo esse tempo, ele aprendeu e desaprendeu muita coisa. Mas, acima de tudo, ensinou. Ele me ensinou como amar um bichinho tal qual se ama uma pessoa. Há quinze anos, eu não sabia o que era isso. Eu não poderia compreender, se não vivesse isso na pele.

Hoje, às duras penas, aprendi também a perder. Da mesma forma que não era capaz de imaginar o tamanho do amor de se ter um cãozinho, eu não suspeitava a extensão da dor de ter que dizer adeus. Eu sabia que ele estava envelhecendo e trabalhava isso em minha cabeça. “Ele vai morrer algum dia”, eu pensava. Mas o cérebro definitivamente não manda no coração.

Um dia, entrei em meu quarto e vi o papel do chocolate, ao lado de minha bolsa, aberta. Eu conhecia essa mania feia do Milú de roubar comida de nossas bolsas. Então, naquele dia, quando cheguei em casa, guardei a bendita sobre minha mesa. Mas o pequeno larápio puxou a comprida alça, abriu o zíper com o focinho e encontrou a barra, daquelas de 180g. E botou tudinho pra dentro. Nem briguei com ele. Apenas recolhi a embalagem e joguei fora.

Naquela noite, ele vomitou bastante. Claro, a quantidade de açúcar era anormal. E eu só fiquei esperando que ele expelisse todo o chocolate, como acontecia quando ele ingeria algum petisco roubado.

Só que ele não voltou ao normal. Mesmo depois que todo o chocolate foi expulso de seu organismo, ele não retornou a sua rotina. Não se alimentava nem bebia mais água. Mas tinha diarréia e continuava vomitando. Quando ele começou a enfraquecer, meu irmão me ligou. “Milú tá muito mal. Ele está sujando a casa inteira.” Pedi licença e o busquei para levar ao veterinário.

Notei que, além de fraquinho, ele estava assustado. Tremia muito quando eu aproximava minha mão, como se estivesse com medo. Fazia menção de morder, como quando se sentia ameaçado. Mas era diferente. Ele parecia não estar entendendo mais nada.

O veterinário ouviu minha história e achou melhor interná-lo, até porque Milú estava muito debilitado. Mas me acalmou, dizendo que o chocolate não tinha nada a ver com o quadro. Ele seria tratado com soro.

Mesmo sensibilizada, voltei ao serviço e liguei no fim da tarde, quando os exames ficariam prontos. O plantonista disse que os resultados não acusavam nada, mas que ele continuava prostrado. Resolvi ir visitá-lo na mesma hora e permaneci ali, fazendo carinho e conversando com meu bebê por cerca de 40 minutos. Eu pedia, aos prantos, para ele melhorar e voltar logo para mim. Ele se apoiava em minha mão e ia escorregando, até se deitar relaxado, mas com o bumbum lá em cima. Eu achava graça de sua pose e fazia mais cafuné no meu bebê.

Saí de lá sentida, pedindo muito para que ele ficasse bom novamente. Como naquela última vez em que ele ficou internado. Mesmo sabendo, no fundo de minha alma, que isso era muito improvável.

Na manhã seguinte, acordei atrasada para o trabalho. Do contrário, teria ido passar mais um tempinho com meu filho. Mas então pensei comigo mesma: “ele está cansado. Vou lá no fim do dia, como fiz ontem”. Quando cheguei ao serviço, recebi a ligação. Conforme o veterinário falava, eu chorava. Meu bebê tinha falecido durante a noite.

Perdi meu rumo e não conseguia responder a quem me perguntava o porquê do meu choro. Só me lembro de dizer que meu cachorrinho tinha morrido e sair em direção à clínica. Eu estava realmente arrasada. Meu coração doía. Sempre fui muito chorona, mas fazia anos desde a última vez que solucei daquela maneira.

O veterinário foi tão atencioso quanto podia, naquele momento. Eu pedi para ver meu filhote e ele questionou: “tem certeza?”. “Sim”, eu respondi. Eu precisava me despedir dele. E o fiz. Abracei seu corpinho, chorei mais, conversei com ele. E também o beijei pela última vez, até que finalmente criei coragem para verbalizar o sofrido “adeus”.

Não consegui voltar ao trabalho e quis ficar sozinha. Se, por um lado, recebi conforto de muita gente querida, por outro, fui criticada por quem não entende esse tipo de ligação. “Todo esse drama por causa de um cachorro?!?!?” Sinceramente, não guardo raiva dessas pessoas. Tenho dó. Porque elas ainda não tiveram a felicidade de experimentar um amor puro assim. Não compreendem que amizade não conhece espécie. E que conviver diariamente com um companheiro, por quinze anos seguidos, não é o mesmo que passar quinze dias ou quinze horas com alguém. Desejo a elas – e a todos os que compartilham meu luto – uma relação assim, como a que eu tive com Milú. Todo mundo merece ter um amigo incondicional. Eu agradeço a Deus pelo privilégio que tive de ser sua mãe desde os seus dois meses de vida. E de amá-lo assim.

A dor é imensa, mas como poderia ser diferente? Acredito no equilíbrio e, para contrabalancear um carinho daquele tamanho, só mesmo uma tristeza nessa dimensão. Mas não me arrependo desse apego. Porque, mesmo que ele esteja longe, lá em cima, enlouquecendo São Pedro com seu latido e seus pulos, próximo ao portão do céu, eu estou aqui, sentindo-me viva com nossas memórias. E permitindo que meu coração se cure após a perda de um pedaço tão importante de mim, da minha família, da minha história. Essa dor há de passar.


Para o meu amorzinho de ontem, hoje e sempre. Meu primogênito, sinto sua falta e sempre sentirei. Descanse em paz, velhinho.